O número de vítimas da agência de turismo Projeto Israel pode ser superior a 500, segundo a polícia. Depois da prisão do dono da empresa, Paulo César Zardo, 41 anos, prestes a voar para Israel, a Delegacia de Estelionato e Desvio de Carga (DEDC) não parou de receber ligações de pessoas que compraram viagens para a Terra Santa e não tiveram o sonho realizado. O prejuízo é calculado em mais de R$ 1 milhão.

Só em Curitiba, são mais de 100 vítimas do golpe; em Londrina, cerca de 200; e em Piraquara, cerca de 50. Pessoas de São Paulo e até do Nordeste alegaram ter comprado pacotes da agência pela internet. A empresa de Zardo cobrava de R$ 3 mil a R$ 5 mil pela viagem, que, em média custa R$ 10 mil. “Tudo indica que ele oferecia preço mais baixo para se apropriar do valor”, disse o delegado Wallace de Oliveira Brito.

Zardo continua detido na delegacia, mas o delegado já pediu prorrogação da prisão para que o suspeito seja transferido ao sistema penitenciário. “O próximo passo será investigar a participação de outras pessoas no esquema e tentar recuperar o dinheiro das vítimas”, explicou Wallace. Quando a data da viagem se aproximava, Zardo alegava algum imprevisto, como epidemia, conflitos armados e preço do dólar, para adiar o voo e enrolar os clientes.

Desconfiança

Há cerca de um ano, uma das vítimas procurou outra operadora de viagens de Curitiba para comparar o preço dos pacotes. Ao saber do valor muito abaixo do praticado no mercado, Roberta Redivo, gerente especializada em viagens para a Terra Santa, resolveu investigar. “Eles diziam que o preço era menor, porque recebiam subsídios do governo de Israel, via embaixada. Entrei em contato com o consulado e eles negaram ter dado a ajuda”, disse Roberta. “No orçamento faltavam dados, como especificação das diárias e atividades que seriam feitas durante a estada”, comentou.

Em abril do ano passado, Roberta encaminhou e-mail para a Associação Brasileira de Viagens (Abav), no Paraná, sobre possibilidade de irregularidades praticadas pelo concorrente. No entanto, como a Projeto Israel havia feito algumas viagens, não havia como provar o golpe. “Apenas pelo preço baixo é difícil comprovar que a agência está faltando com a verdade. Não temos poder fiscalizador. Em alguns casos, é possível que a agência negocie com entidades preço mais barato”, explicou Roberto Bacovis, presidente da Abav-PR.