O motorista Mário José Carvalho, 32 anos, acusado de ter atropelado 13 pessoas em Ponta Grossa enquanto dirigia alcoolizado, pode permanecer atrás das grades até o dia do seu julgamento. A constatação é do juiz Hélio Cesar Engelhardt, da 3.ª Vara Criminal da cidade, que, paradoxalmente, ontem, indeferiu o pedido de prisão preventiva.

 Em princípio o delegado Danilo Sesto autuou Mário em flagrante por homicídio culposo, crime que caberia fiança. Porém, com os depoimentos das vítimas e testemunhas, ele entendeu que o motorista assumiu o risco de provocar mortes, dirigindo de forma imprudente. Assim, Mário deveria responder por homicídio com dolo eventual. Para garantir que o acusado não saísse da prisão mediante pagamento de fiança, uma vez que foi autuado por homicídio culposo, o delegado solicitou a prisão preventiva.

Indeferido

Ontem, o juiz indeferiu o pedido, entendendo que não havia necessidade de prisão preventiva, uma vez que houve o flagrante. ?Se houver pedido de liberdade, é o juiz que terá que analisar. A partir do momento que o caso chega até ele, o delegado perde a autonomia. Por isso, nós podemos mantê-lo preso até o final do julgamento?, explicou Engelhardt, lembrando que o Ministério Público é que deverá definir se oferecerá a denúncia como homicídio culposo ou doloso.

O indeferimento do pedido não desagradou ao delegado. ?Trata-se de uma estratégia jurídica. Pedi a preventiva para não dar brecha para uma tentativa de pagamento de fiança. Como o juiz afirmou que ele irá continuar preso, atingi meu objetivo?, disse o delegado, que pretende finalizar o inquérito policial até a próxima segunda-feira.

De acordo com o advogado das famílias atingidas pelo acidente, Fernando Madureira, uma das vítimas que está internada continua em estado gravíssimo. Já o estado de saúde da outra está estabilizado.

Foz

Outro caso semelhante aconteceu anteontem em Foz do Iguaçu. Os irmãos Rodrigo da Cruz, 8 anos, e Anderson Francisco da Cruz, 5, haviam saído da escola e caminhavam pela calçada, quando foram atropelados. O motorista Valmir Adans, que conduzia uma caminhonete, fugiu do local sem prestar socorro. Rodrigo morreu antes mesmo de ser socorrido e seu irmão continua internado em estado grave. Até o final da tarde de ontem, o motorista não havia se apresentado na delegacia. De acordo com o delegado José Roberto Jordão, caso isso não aconteça até a conclusão do inquérito, será solicitada a prisão preventiva de Valmir. ?Mesmo que ele se mantenha foragido, irei autuá-lo por homicídio com dolo eventual, pois ele estava dirigindo em alta velocidade e perto de uma escola, portanto, sabia que corria o risco de ferir alguém?, disse o delegado, afirmando que pretende encerrar o inquérito em até 15 dias.