Pelo menos 340 dos 1.500 presos da Colônia Penal Agroindustrial (CPAI) ganharam a liberdade, durante o mutirão carcerário realizado quinta e sexta-feira, no Complexo Penitenciário de Piraquara. O projeto contou com a participação de um oficial de justiça, um advogado do Estado, uma promotora e 20 servidores da Secretaria de Justiça.

O objetivo da ação, segundo o juiz da 1.ª Vara de Execuções Penais, Eduardo Fagundes Júnior, é colocar o sistema penal em dia, fazer progressões de pena para quem tem direito e com isso liberar mais vagas para os presos que estão nas delegacias.

“Nossa missão não é simplesmente analisar os processos e transferir os presos do sistema fechado para o semiaberto, e os que já estão nesse regime, transferi-los para o aberto. O grande desafio é fazer com que o preso saia diferente de como entrou, e com a certeza de que vai embora da cadeia com um emprego e terá um lugar para ficar”, explicou Eduardo.

Espaço

O diretor da CPAI, Ismael Meira, disse que o trabalho feito pela Secretaria de Justiça reflete diretamente na Secretaria de Segurança Pública. “Todos os dias vemos as delegacias lotadas, presos amontoados e fugas constantes. Com esse tipo de projeto, conseguimos amenizar a situação, liberando mais vagas no sistema”, contou.

Para Izabel Kugler Mendes, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, o mutirão é uma ação de cidadania. “A superlotação nas delegacias é desumana. Estamos fazendo uma visita em todas as carceragens do estado para identificar os problemas. No meio do caminho encontrar uma ação dessas nos faz pensar que o problema ainda tem solução”, comentou Izabel.