O Ministério Público do Paraná deverá entrar com afinco na apuração da origem dos 180 mil dólares de Eduardo Requião de Mello e Silva, que foram furtados no início do ano passado pela empregada doméstica EQJ, 45 anos, de dentro do apartamento dele.

O caso, que até então estava sob os cuidados da Promotoria Criminal, foi desmembrado e hoje será indicado um promotor da Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público para a investigação.

O processo teve início com a abertura do inquérito policial número 044-2009 instaurado em 15 de setembro de 2009, pelo delegado Francisco Alberto Caricati, na época lotado no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), para apurar o furto do dinheiro do apartamento do ex-superintendente do Porto de Paranaguá.

Eduardo Requião denunciou a ex-doméstica EQJ, que trabalhou em sua residência durante quatro anos. Depois, sua mulher e filho também foram ouvidos, confirmando a versão do furto.

Porém, embora fosse seu dever de ofício, em nenhum momento o delegado pediu a Requião a confirmação da existência dos dólares ou questionou a origem do dinheiro.

Família

No mesmo inquérito, foram indiciados não só a doméstica, que quando interrogada admitiu o furto e alegou estar arrependida, prontificando-se a devolver os imóveis que tinha comprado com a quantia furtada, mas também o marido dela, o genro e as duas filhas.

A acusação contra eles só não foi em frente porque a promotora Ângela Domingos Calixto não ofereceu denúncia, por ausência de indícios sérios no sentido de que tenham praticado ou concorrido para o crime.

Quando o marido da acusada foi interrogado, em 13 de outubro de 2009, ficou registrada a pressão que sofreu, pois a polícia lhe imputava a participação no furto, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

Porém ele, o genro e as filhas, asseguraram que os bens comprados eram de origem lícita e que EQJ havia ajudado a adquiri-los com as “gratificações” que ganhava.

Apesar de acusar o suspeito de sonegação fiscal, o delegado não fez o mesmo questionamento à vítima. O delegado Caricati está atualmente lotado como adjunto da Divisão Policial Metropolitana e, de acordo com informações de funcionários, está em férias, devendo retornar ao trabalho na próxima semana, quando então poderá falar sobre o caso.

Grana quase passa em branco

Mara Cornelsen

Nem mesmo o advogado de defesa da doméstica e dos parentes dela, Luciano Cesconetto, preocupou-se em questionar a procedência dos dólares do ex-superintendente do Porto de Paranaguá.

Não que isso fosse eximir sua cliente da culpa pelo furto ou reverter o inquérito instaurado, mas poderia colocar Eduardo Requião em situação, no mínimo, constrangedora. Talvez até propiciasse a abertura de novo inquérito, desta vez contra Requião.

Ontem, Cesconetto explicou que, na fase de inquérito, não lhe cabia perguntar sobre o objeto do furto, até porque sua cliente havia confessado o delito e falava em reais e não em dólares.

“Isso é tarefa para a polícia, a Receita Federal e o Ministério Público”, salientou. Por outro lado, informou que, na fase de instrução do processo, que está agendada para fevereiro do ano que vem, em que todas as pessoas serão ouvidas novamente pelo juiz, a origem do dinheiro americano será questionada.