Fotos e vídeos feitos durante a manifestação dos professores na última quarta-feira e depoimentos de participantes, da população e de policiais militares devem ser elementos fundamentais na investigação iniciada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR). A intenção é apurar se houve excessos na repressão durante o evento, para possíveis responsabilizações jurídicas.

Diversas esferas do MP-PR devem atuar na investigação, inclusive no interior do Estado. Pessoas que foram vítimas de lesões corporais, como os feridos por tiros de bala de borracha, de abuso de autoridade e outros participantes serão ouvidos. O prazo inicial para conclusão é de 30 dias. A instituição criou um endereço eletrônico para que a população possa enviar elementos, como fotos e vídeos, que sirvam como esclarecimento dos fatos.

A partir do resultado da investigação, o MP-PR deve decidir que encaminhamentos jurídicos serão dados, como eventuais responsabilizações por excessos. Embora os integrantes da instituição não confirmem que houve desproporção na ação policial, eles afirmam que há indícios de excessos em comparação com outras manifestantes recentes.

O e-mail para o qual podem ser enviados vídeos e fotos da manifestação, para auxiliar a investigação, é denuncia29deabril@mppr.mp.br.

“Ação legítima”

Durante coletiva de imprensa do MP-PR, representantes da Associação de Praças do Paraná (APRA) fizeram a entrega de imagens que, segundo eles, comprovam a ação de black blocks na manifestação. Segundo o advogado da APRA, Cláudio Dalledone Junior, foram flagrados integrantes do grupo manejando artefatos explosivos durante o evento e recebendo pagamentos.

Dalledone afirmou que o confronto começou com a ação desse grupo e que os policiais fizeram uso progressivo da força, em legítima defesa e para manter a ordem pública. Segundo ele, cerca de 100 black blocks estavam infiltrados no protesto. O advogado disse que os policiais agiram de forma legítima e que mereciam uma menção honrosa pela atuação.

No momento em que falou na menção honrosa, houve revolta por parte de professores que estavam no local. “Legítimo atacar pessoas que só tem o peito para mostrar? Isso é covardia”, reclamou uma professora.