Proprietários de motocicletas
precisam de mais segurança
para estacionar seus veículos.

Leves, fáceis de carregar, dotadas de poucas características de identificação, e com o valor do seguro nas alturas, as motocicletas estão sendo as “meninas dos olhos” para os ladrões de veículos que vêm agindo na capital. Somente no primeiro semestre deste ano, 532 motos foram roubadas em Curitiba. Segundo o delegado Hamilton da Paz, titular da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, o número de motocicletas roubadas equivale a 12% do total das ocorrências atendidas pela delegacia especializada.

O que a polícia tem percebido é que os veículos não são roubados apenas para ser desmanchados, mas para ser revendidos em cidades do interior do Estado, como Foz do Iguaçu. “Muitas motos levadas de Curitiba foram achadas nos bagageiros de ônibus de turismo rumo à cidade fronteiriça ou circulando com colonos na zona rural de pequenos municípios”, disse Hamilton. Quanto a recuperação dos veículos, uma triste estatística assola o trabalho da polícia. Apenas 30% das motos roubadas são recuperadas, pois esses veículos contam apenas com três quesitos para identificação. São eles: chassi, placa e motor. Já em um carro, o número de características identificadoras sobe para 14.

Seguro

De acordo com levantamentos feitos pela Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, as motos mais visadas são as simples, como a Honda Titan 125, por ser barata, de fácil revenda e por haver grande procura pelas peças. Conseqüentemente, as principais vítimas dos assaltos são os motoboys, que usam justamente esse tipo de motocicleta. O agravante da situação é que eles contam com o veículo próprio para trabalhar e a maioria não faz seguro pelo alto valor cobrado.

A gerência de uma revendedora Honda afirmou que as seguradoras cobram caro justamente pela vulnerabilidade das motos ao furto e roubo. Por causa disso são poucas as que o fazem. De acordo com a revendedora, o seguro de uma moto usada pode chegar a 40% do valor do veículo, ou seja, para assegurar uma Honda Titan 2003, que custa cerca de R$ 5.000, o proprietário terá que pagar cerca de R$ 1.750. No caso de uma motocicleta nova, o valor é mais baixo. O seguro de um veículo zero quilômetro, no valor de R$ 5.540,00, é de apenas R$ 544,00.

Barras de ferro no meio-fio dificultariam os furtos

Um projeto de lei que visa coibir os freqüentes furtos de motos no centro da cidade já foi aprovado pela Câmara Municipal de Curitiba, mas até agora ainda não foi colocado em prática. De acordo com o vereador Luiz Felipe Braga Côrtes (PMDB), a Lei n.º 11.034, promulgada no dia 13 de junho deste ano, exige a implantação de barras de ferro nos estacionamentos de motos espalhados pela cidade.

Atualmente são 210 vagas já estabelecidas em diversas ruas do centro de Curitiba. As barras de ferro serviriam para os motoqueiros acorrentar os veículos, dificultando os furtos. “O objetivo é proporcionar segurança aos usuários que têm na motocicleta sua ferramenta de trabalho, cujas famílias dependem disso para o sustento”, afirma o vereador. De acordo com Luiz Felipe Braga, trata-se de um projeto simples que não gera gastos altos aos órgãos competentes do município. “Cerca de 17 mil motoqueiros, que circulam atualmente pela cidade, necessitam com urgência que esse projeto seja finalmente implantado”, finalizou.

Segundo Roberto Lopes Izar, responsável pelos recursos humanos de uma empresa de transporte de documentos, em 15 dias, sete motoboys tiveram suas motocicletas roubadas ou furtadas. “Os canos iriam diminuir os furtos durante o dia, mas à noite, infelizmente, o maior problema ocorre quando bandidos armados dão voz de assalto. Nesse caso apenas um policiamento intensivo resolveria a situação”, diz ele.