?Quanto vale uma vida: R$ 8 mil e alguns vales-transporte?. Essa era a frase escrita em um cartaz que familiares da vendedora Adriana Aparecida Rigobelo, 28 anos, seguravam ontem em um protesto no Terminal Guadalupe, no centro de Curitiba. Adriana morreu na última segunda-feira, vítima de bala perdida, enquanto aguardava o ônibus para retornar à sua casa, em São José dos Pinhais. Eles pediam mais segurança pro local e justiça na punição do autor do crime.

?Onde nós vamos parar com essa matança??, questionava emocionado o pai de Adriana, Valdomiro Rigobelo, afirmando que todos ficaram chocados com a notícia da morte da jovem, que deixou duas filhas, de 3 e 5 anos. ?Ninguém se conforma com isso?, disse, acrescentando que sabe que nenhum protesto vai trazer a filha de volta, mas que se sente na obrigação de alertar as pessoas para o problema do local.

?Nesse terminal não tem policiamento e todos que passam por aqui são testemunhas da violência, prostituição e tráfico de drogas?, desabafou. Rigobelo garantiu que família e amigos de Adriana vão continuar mobilizados até que se mude a realidade do Terminal Guadalupe. ?Vamos continuar fazendo novos protestos?, declarou. Mesmo estando bastante abalado, Rigobelo aproveitou o protesto pra sensibilizar as pessoas que passavam pelo terminal de coletivos. ?Vocês que são jovens, se cuidem, e não dêem as costas pra qualquer um?, afirmava.

A vendedora Adriana Rigobelo morreu com um tiro na cabeça, disparado por Eduardo Barcheski, 41 anos, que teria tomado a arma de assaltantes e efetuou quatro tiros a esmo. Além de Adriana, uma outra mulher que também estava na fila pra apanhar o ônibus foi atingida no pé. Com o atirador, foram encontrados R$ 4 mil em notas de pequeno valor e cerca de R$ 8 mil em vales-transporte de ônibus da região metropolitana.

O comandante da 1.ª Companhia do 12.º Batalhão de Polícia Militar de Curitiba, responsável pelo patrulhamento da região central da cidade, capitão Jéfferson Silva, afirmou que três policiais foram designados para o módulo policial que fica no terminal durante o dia. Antes apenas um PM ficava no posto. E durante a noite dois policiais, em vez de um, foram designados pra ficar no local. ?Eles vão ficar no posto de forma alternativa até que tenhamos reposição de efetivo. E fazemos policiamento constantemente com viaturas e motos?, explicou.