Inconfirmado com o fim do relacinamento
amoroso, Gilmar de Souza assassinou
ontem a ex-noiva, a mãe dela depois
atirou contra a própria cabeça.

O dia dos namorados foi marcado por uma tragédia, no Jardim Eucalipto, em Colombo. Inconformado com o fim do relacionamento amoroso, Gilmar de Souza, 28 anos, assassinou a ex-noiva, Simone Blaskiesvi, 16, a mãe dela, Terezinha Blaskiesvi, 35, e depois atirou contra a própria cabeça.

Gilmar, que já havia terminado o noivado com a adolescente há aproximadamente dois meses, não se conformava com a separação e durante todo este período tentou reatar o relacionamento. A jovem estava decidida e, há poucas semanas, começou a namorar um primo de Gilmar, o que o deixou mais revoltado. Segundo familiares das vítimas, Simone já havia sido ameaçada pelo rapaz e chegou a procurar a Delegacia do Alto Maracanã para registrar uma queixa.

Tragédia

No início da tarde de ontem, com um revólver calibre 32, escondido embaixo da camisa, ele foi até a casa da ex-noiva, na Rua Isaías Barbosa, 19, com o pretexto de ver umas fotografias antigas. Mesmo temerosa diante de ameaças anteriores, Simone resolveu atender o pedido do ex-noivo, e levou-o até o quarto para mostrar as fotos. Mas não teve tempo de pegá-las. Quando se virou, Gilmar já estava com a arma apontada em sua direção, engatilhada.

Na tentativa de escapar da morte, a jovem tentou se esconder atrás do guarda-roupa, porém foi atingida por dois disparos na cabeça e um no braço. Ao ouvir os tiros, Terezinha ficou apavorada e saiu correndo, mas não foi muito longe. Foi assassinada no quintal com um tiro no peito.

Os vizinhos ouviram os gritos e chamaram a polícia. Várias viaturas da Polícia Militar chegaram rapidamente e encontraram o rapaz a poucos metros da casa das vítimas, com a arma apontada para a própria cabeça. Os policiais isolaram o local e tentaram negociar com o jovem, que exatamente às 17h53 atirou contra a própria cabeça.

Condenado por estupro

Policiais do Serviço Reservado da Polícia Militar apuraram que Gilmar já esteve preso por estupro, praticado no Espírito Santo e teria cumprido pena de três anos naquele Estado. No local do crime surgiram comentários que a garota teria terminado o relacionamento porque o noivo tentou estuprá-la. Segundo os vizinhos, o romance teria começado em outubro do ano passado e, no Natal, o casal resolveu colocar as alianças de noivado. Há dois meses, Simone rompeu o relacionamento e se negava a voltar atrás, apesar da insistência de Gilmar.

Quatro horas de tensão no meio da rua

Enlouquecido pelo seu próprio ato, Gilmar de Souza, 28 anos, saiu correndo em direção a Rua Sebastião Balber. “Ele saiu carregando o revólver”, contou uma vizinha, lembrando que o duplo homicídio aconteceu às 13h40. “Eu estava assistindo o jornal, quando ouvi os estampidos”, comentou a mulher, que prefere não se identificar.

Quando a polícia chegou, encontrou Gilmar no meio da rua com a arma apontada para a cabeça. Os policiais cercaram o local e ele ficou andando de um lado para outro, na Rua Sebastião Balber, sempre apontando a arma contra a própria cabeça e às vezes colocava o cano do revólver na boca.

Durante quatro horas, foi este o procedimento de Gilmar, que no início da noite já demonstrava cansaço. Rodeado de policiais, ele alternava os braços e às vezes dizia alguma coisa. Quando se cansava agachava, para em seguida se levantar e começar tudo outra vez. Um negociador da Polícia Militar tentava convencer Gilmar a se entregar, mas de nada adiantava.

Agitado

Segundo os policiais, a dificuldade era que Gilmar estava muito agitado e seu comportamento era instável. “Ele pode atirar a qualquer momento até mesmo contra os policiais”, disse o tenente Cristiano Carrijo, do Comando de Operações Especiais (COE). O rapaz dizia que não queria ver ninguém que não estivesse fardado se aproximando, senão iria atirar contra a pessoa.

Os moradores próximos, curiosos e a imprensa tiveram que achar locais alternativos para ver o desfecho do caso, já que os policiais retiravam qualquer pessoa estranha do local.

Sem exigências

A maior dificuldade da polícia era que Gilmar não fazia exigências concretas para se entregar. Ele chegou a pedir que a polícia procurasse uma moça com quem queria conversar, mas ninguém conseguiu achá-la. Depois, os familiares do rapaz foram para o local, mas também não conseguiram convencê-lo a se entregar.

Por volta das 17h30, Gilmar mostrou uma carta e disse que ali continha o motivo de seus atos. Depois guardou-a no bolso novamente. Ele também retirava a fotografia de uma mulher, provavelmente Simone, e olhava. Em seguida, guardava tudo no bolso da calça. O conteúdo da carta não foi divulgado pela polícia, o que poderá acontecer hoje.

Às 17h53, demonstrando estar muito cansado, Gilmar abriu os dois braços. Seria o momento para a polícia dominá-lo, mas, antes da aproximação policial, ele efetuou o disparo contra a cabeça.

Rapidamente os policiais e socorristas do Siate se aproximaram, retiraram a arma de sua mão e o conduziram ao Hospital Cajuru, onde ele permanecia internado até o início da noite de ontem. Às 19h15 estava no centro cirúrgico, segundo informações de funcionários do hospital. (VB)

Polícia ignora ameaças e não registra queixa

Simone Blaskieski, 16 anos, e sua mãe, Terezinha, haviam procurado a Delegacia do Alto Maracanã, na quarta-feira, para comunicar as ameaças que vinham sofrendo por parte de Gilmar. Segundo familiares, policiais teriam dito que briga de namorados não era caso de polícia e ambas retornaram sem ser atendidas.

Ainda de acordo com os parentes das vítimas, ambas voltaram para casa desoladas e temiam que Gilmar cumprisse as ameaças de morte, o que terminou acontecendo ontem à tarde.

A história foi apurada por policiais militares, que praticamente atenderam toda a ocorrência, e permaneceram no local até o desfecho. Os parentes de Simone e Terezinha estavam revoltados com o fim trágico da ocorrência e disseram que irão falar sobre o assunto nos próximos dias.