Os manifestantes seguiram
até a Boca Maldita.

A proprietária da banca de jornal do Círculo Militar, Maria de Lurdes da Silva Pszepiura, afirma estar indignada com a falta de segurança em Curitiba. Em menos de um mês, ela teve o estabelecimento arrombado quatro vezes. “Eles esperam a gente fechar a banca para agir e levar tudo. Estamos abandonados sem segurança”, falou. Maria de Lurdes foi uma das pessoas que participou de um protesto contra a violência realizado ontem no centro da capital.

Com faixas e apitos, os manifestantes se reuniram em frente a Praça Santos Andrade e seguiram em passeata pela Rua XV de Novembro, até a Boca Maldita. No local, eles se misturaram com os cabos eleitorais que participavam da campanha dos candidatos Beto Richa (PSDB) e Angelo Vanhoni (PT). O grupo foi recebido com surpresa, já que apresentavam reivindicações defendidas por ambos os candidatos. Depois de cantarem o Hino Nacional, os manifestantes deixaram a Boca Maldita gritando palavras de ordem, como “o povo unido jamais será vencido”.

A proposta da manifestação, afirma o coordenador do evento e integrante do Movimento Amigos da Justiça Eleitoral, Fábio Aguayo, é chamar a atenção da sociedade para que se mobilize, principalmente durante o processo eleitoral. “Os políticos apenas lembram do povo de quatro em quatro anos, quando ocorrem as eleições. Mas eles precisam saber que existem muitos problemas na cidade que precisam ser resolvidos e a população não pode ser usada nesse jogo”, disse. Segundo ele, a manifestação de ontem foi a primeira de uma séria de atividades que serão desenvolvidas na cidade para mobilizar à população.

Problemas

A presidente da Associação de Moradores da Vila Nova Hortênsia, Luzinete Ortiz Matias, afirmou que as 140 famílias que moram na região aguardam a regularização fundiária. Ocupada há mais de 15 anos, a área que fica no Alto Boqueirão, não possui qualquer infra-estrutura. “Nós temos falta de tudo na vila, e só recebemos promessas nesses anos todos. Queremos que alguém olhe por esse povo”, falou.

Moradora da Vila Pantanal, a dona-de-casa Maria do Carmo Lima reclama que a localidade só é lembrada em épocas de eleição. “Todo o dia aparece algum político por lá para fazer promessas, mas ninguém resolve nada”, declarou.

A Associação de Donas de Casa também participou da manifestação para pedir mais atenção sobre os casos de violência contra a mulher. Ethel Weitzman diz que é preciso mudar a forma de atendimento nas delegacias, para que todos os distritos tenham condições de atender as mulheres vítimas de violência. O presidente do Movimento Pró Alto Boqueirão e Região, Altevir Gama também defendeu mais segurança e mais atenção a periferia da cidade.