?Paçoca? é suspeito de mandar
matar Alexandro e seu irmão
Edenilson, em janeiro.

A lei da bandidagem fala mais alto na Vila Sabará, Cidade Industrial de Curitiba. Ontem à tarde, dona Inês de Paula perdeu seu segundo filho na guerra entre marginais e moradores do bairro, dominado pela criminalidade e pelo medo. Alexandro de Paula, deficiente mental de 26 anos, foi assassinado com cinco tiros às 17h10, a poucas quadras de onde morava com a família. Há nove meses, o irmão dele, Edenilson Aparecido de Paula, também foi morto no Sabará.

A família, revoltada, aponta um homem conhecido como “Paçoca”, 42 anos, como responsável pelos dois crimes. Alexandro teria sido executado por vingança, porque indicou à polícia o endereço de “Paçoca” quando o irmão foi assassinado, em janeiro. Por isso teria ficado jurado de morte pelo marginal.

Revolta

Como de costume, a “lei do silêncio “imposta pelos bandidos impediu que moradores dessem informações aos policiais que estiveram no local da morte de Alexandro. Embora ele tenha sido assassinado no meio da rua, em plena luz do dia, nenhuma testemunha se dispôs a falar com os soldados Gomes e Edilson, do 13.º BPM. Uma das irmãs da vítima chorava abraçada ao corpo e prometia vingança. “Se a polícia não pega esse vagabundo, nós vamos fazer justiça com as próprias mãos”, gritava, revoltada com o assassinato do irmão inocente.

“Paçoca”, segundo parentes de Alexandro, é quem “manda” naquela região. Ele seria o mandante do assassinato de Edenilson, que tinha 23 anos e foi morto em 15 de janeiro deste ano. O autor seria um dos filhos de “Paçoca”. No mesmo dia, Alexandro mostrou à polícia onde morava o autor, que foi preso. Por conta disso, “Paçoca” jurou se vingar do rapaz, conforme contaram os parentes dele.

Logo depois do crime de ontem, diversas viaturas da Polícia Militar fizeram buscas na região para localizar o acusado, morador na Rua Bom Jesus. De acordo com informações da PM, ele é suspeito de diversos crimes, inclusive um outro homicídio ocorrido há pouco tempo, também na Vila Sabará.

Apesar das buscas, o suspeito não foi localizado. Investigadores da Delegacia de Homicídios também estiveram no local, colhendo as primeiras informações.