O medo que o filho, de 14 anos, seja assassinado – está sendo ameaçado – e a tentativa de mantê-lo longe das drogas, faz com que E.T.W., 54 anos, num ato de coragem e de amor, o mantenha acorrentado em casa, principalmente nos momentos em que ele demonstra maior necessidade de fazer uso de entorpecente.

Alguns vizinhos recriminam a atitude mas, para a maioria, que sabe a história de luta da mulher, esta foi a solução que ela, pobre e sem auxílio, encontrou para proteger o menino.

A mãe trabalha como coletora de materiais recicláveis e puxa um carrinho pesado o dia todo. Tem cinco filhos, quatro já casados. Só o caçula mora com ela e o marido, em uma casa simples, na Vila Pantanal, no Alto Boqueirão.

Além da corrente e de dois cadeados que usa para prender o garoto, pouca coisa sobrou na moradia. Os móveis, eletrodomésticos e todos utensílios domésticos foram vendidos ou trocados por ele, para comprar drogas.

“Nem panelas tenho para fazer comida. Uso latas de ervilhas para cozinhar e só tenho em casa a comida do dia. Se tiver mais, ele vende tudo”, conta a mãe, que convive com essa situação há mais de quatro anos.

Furtos

Aliocha Maurício
Garoto ganha biscoitos e corre para trocá-los por drogas.

O menino começou a usar drogas com 7 anos, mas ficou dependente e passou a vender as coisas da casa a partir dos 10. Foi também nessa época que começou a furtar a vizinhança.

“Tenho medo que ele seja morto. Já fiquei sabendo que tem gente ameaçando por causa dos furtos. Não o prendo por mal; só quero que ele fique em casa tranqüilo”, contou a mulher com os olhos marejados, mostrando a corrente que usa para segurar o filho em casa.

A madrinha do adolescente, a comerciante R.L., que o viu nascer, revelou grande tristeza ao vê-lo sofrendo por causa do vício. “A gente queria que ele aceitasse ir para uma casa de recuperação. Que tomasse jeito na vida e se tornasse um homem, que tivesse uma família e fosse feliz”, contou a mulher. Um empresário já se dispôs a ajudar o garoto, mas ele não quer e recusa-se a sair da vila.

Comovido com a história, o repórter Tiago Silva, da Rádio Banda B, que também conversava com a mãe desesperada, comprou um pacote de salgadinho e outro de biscoito, entregando-os para o menino.

Diante de todos e sem a menor cerimônia, assim que a mulher o libertou da corrente, ele saiu correndo, com os pacotes. “Ele não vai comer. Vai trocar por drogas”, lamentou a mãe.