Pela terceira vez, desde 2011, a “fortaleza” do jogo do bicho no Prado Velho foi fechada. Na manhã desta quarta-feira (30), a Operação Madagascar do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), da Polícia Civil, também levou 72 pessoas para assinar termo circunstanciado por exploração de jogo de azar. Boa parte, donos de lotéricas, investigados por manter portas anexas com bancas do jogo ilegal. O objetivo era identificar lavagem de dinheiro, mas não foi informado se alguém foi preso por este crime.

De acordo com o delegado Robson Barreto, do Nurce, as investigações iniciaram há três meses, a partir da observação das bancas de jogo do bicho pela cidade e escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. “Começamos a entender que, por trás do jogo do bicho, poderia estar ocorrendo crime muito maior que é a lavagem de dinheiro”, disse o delegado. Para alguns donos de lotéricas, ter os dois tipos de comércios impulsiona as vendas, já que o apostador que vai para fazer uma “fézinha” na lotérica aproveita para jogar no bicho e vice-versa.

Foram recolhidos documentos, computadores, anotações e R$ 150 mil em dinheiro, nas 50 bancas fiscalizadas nesta quarta-feira (30). A operação começou às 11h desta quarta-feira (30), segundo Barreto, porque é um dos horários em que motociclistas recolhem o dinheiro das bancas e levavam até a “fortaleza”. No barracão, 12 funcionários foram detidos em flagrante. Há indícios que o esquema também envolva outros crimes, como sonegação fiscal, falsidade ideológica e formação de quadrilha.

Fortaleza

O local onde o dinheiro do jogo do bicho era recolhido fica na Rua Doutor Reynaldo Machado, Prado Velho, em frente a uma garagem de ônibus. Os muros bem altos com câmeras em toda a extensão, cercas elétricas, ouriços, rota de fuga pelos fundos e a grande guarita com vidros espelhados, explicam por que o local é conhecido como “fortaleza”.

Esta não foi a primeira vez que o local foi “estourado”. A Polícia Federal deflagrou a operação Roleta Russa, em 2011. Pelo menos 50 funcionários estavam no local, cheio de cômodos espaçosos e quatro cofres grandes, contabilizando altas somas de dinheiro recolhidos das bancas.

Em julho de 2012 o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, apreendeu R$ 158 mil – R$ 78 mil em moeda nacional, 20 mil euros e 15 mil dólares. Além destas duas operações, o local já teria sido “descoberto” duas vezes em operações policiais mais antigas.

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