A família do universitário Rafael Zanella, morto há dez anos durante uma abordagem policial, promete usar parte da indenização de R$ 1 milhão na criação de uma fundação de apoio a vítimas de abusos policiais. A sentença foi publicada na sexta-feira no Diário Oficial do Tribunal de Justiça do Paraná e obriga o governo do Estado a indenizar os Zanella e outros dois amigos que presenciaram o crime. O dinheiro só deve ser entregue à família em 2009, já que deverá ser pago através de precatórios.

O estudante Rafael, na época com 20 anos, foi morto no dia 28 de maio de 1997, quando dirigia seu carro em Santa Felicidade, em Curitiba. Ele e três amigos seguiam para um jogo de futebol quando foram abordados pelos policiais civis Airton Adonski e Reinaldo Siduovski e pelo informante Almiro Deni Schimidt. Rafael foi morto com um tiro na cabeça. Para tentar justificar o crime, os policiais alegaram que o jovem teria reagido à abordagem, e forjaram uma situação, colocando uma arma na mão de Rafael e drogas na sua roupa.

Os três amigos sofreram tortura psicológica para confirmar a hjstória. Anos mais tarde, durante investigações, a farsa foi comprovada. Nessa decisão do TJ, o Estado também deverá indenizar Marcos Valduga e Odair Ferreira da Silva, que estavam com Zanella, em R$ 100 mil cada um.