Reprodução: Allan Costa Pino
Marlon: suspeito de ter dado o tiro em Bruno.

A juíza Josiane Ferreira Machado Lima, de Almirante Tamandaré, decretou na tarde de segunda-feira a prisão preventiva de mais três acusados de envolvimento na tortura e assassinato do estudante Bruno Strobel Coelho Santos. O gestor da empresa de segurança Centronic, Vilso Grassi, 45, e os vigilantes Leônidas Leonel de Souza, 29, e Ricardo Cordeiro Reysel, 32, estão foragidos.  

Além dos três, o delegado Jairo Amódio Estorílio, da DP local, também pediu a prisão do proprietário da empresa, Nilso Rodrigues de Godoes. Apesar de o promotor Marcelo Briso Machado ter sido favorável a decretação, a juíza não acatou o pedido. ?Vou oferecer a denúncia de todos os acusados até o final da semana?, disse o promotor. Ele adiantou que, além das três pessoas que estão foragidas, irá denunciar os vigilantes Douglas Rodrigues Sampaio Rodrigues, 26; Eliandro Luiz Marconcini, 25, e Marlon Balem Janke, 30, que foram presos no último dia 16. O vigilante Emerson Carlos Roika, 24, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma. ?Eu fui favorável ao pedido de prisão do Nilso, mas como a juíza negou alegando que há falta de indícios, vou reanalisar?, disse o promotor.

Em seu despacho, a juíza salientou que há indícios de que Leônidas e Ricardo participaram diretamente da tortura contra Bruno, que antecedeu a execução. Ela lembrou que um dos indiciados declarou que a idéia do homicídio foi de Ricardo, que era o chefe dos vigilantes na madrugada do último dia 3. No caso de Vilso, ela frisa que ele foi citado nos depoimentos como dono da empresa, mas que era apenas um funcionário contratado irregularmente. Para a juíza, o fato de uma testemunha ter declarado que avisou que Bruno havia sido torturado na empresa e este nada fez indica que ele participou do crime, mesmo que indiretamente.

Com relação ao proprietário da empresa, a magistrada diz que o delegado Jairo Estorílio recebeu um documento denunciando irregularidades na empresa. Entre elas, a de que ele contratou duas pessoa para ?executar os serviços sujos?. Porém, essas pessoas ainda não foram localizadas. ?Daí a necessidade de aprofundar as investigações e se obter maiores detalhes sobre a qualidade da omissão de Nilso?, frisou a juíza no seu despacho.

Revogação

O advogado da família de Bruno, Juarez Bortoli, acredita que a decretação da prisão de Nilso pode acontecer a qualquer momento. ?Pode haver novidades. A polícia deve buscar mais provas de acordo com a decisão?, disse. Já o advogado da Centronic e de Vilso, Elias Mattar, entrou com pedido de revogação da prisão de Vilso. ?Quando ele tomou conhecimento, os crimes já haviam acontecido. Por isso não pode responder penalmente. Meu cliente não tinha condição de evitar o resultado?, afirmou o defensor. Ele disse que irá esperar a decisão da juíza para depois decidir se irá ou não apresentar Vilso à polícia.