Alberto Melnechuky
Jeferson queria conhecer a garota com quem se relacionava pela internet.

Por se negar a entregar a chave de seu Corsa, o pintor industrial Jeferson Ferreira Lopes, 25 anos, foi assassinado com dois tiros, às 22h de segunda-feira, na Rua Engenheiro Artur Betes, no Portão. Os bandidos fugiram a pé, sem nada levar.

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Jeferson trabalhou o dia todo e depois foi até o apartamento de uma jovem no Portão, para conhecê-la. Eles estavam mantendo contato pela internet há cinco meses. Jeferson foi até o prédio da garota e a aguardou na entrada. Minutos depois, ela saiu para o encontro.

O casal caminhava em direção ao Corsa LLC-4294, quando foi abordado por dois bandidos loiros que anunciaram o roubo. A moça correu e gritou por socorro. Jeferson tentou fugir, mas foi agarrado por um dos marginais. Ele se negou a entregar a chave do carro e o ladrão atirou duas vezes, acertando a cabeça e o ombro do rapaz. Em seguida, a dupla correu sem nada levar.

Jeferson caminhou alguns metros, esvaindo-se em sangue. Viu um taxista que estava parado e tentou abordá-lo em busca de socorro. ?Eu estava com uma passageira. Ela pediu para passar aqui para apanhar uma amiga. Quando chegamos ouvimos os tiros. Fui embora porque os bandidos ainda estavam aqui e eu tinha que zelar pela minha segurança e da passageira?, disse o taxista Rafael Scuissiato. Depois ele retornou para o local e o jovem estava estendido na rua, sem vida.

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A Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) irá investigar o caso em conjunto com a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV). A câmera de segurança de um dos prédios gravou as imagens dos marginais, que deverão ser divulgadas hoje, de acordo com o delegado Rubens Recalcatti.

Os bandidos foram descritos como loiros, de aproximadamente 18 anos, bem vestidos, e um deles tinha o cabelo encaracolado.

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Dor e lágrimas

Alberto Melnechuky
Daniel quer os assassinos do filho na cadeia.

Inconformado com a morte do filho, Daniel Dias Lopes chorou diante do corpo e protestou pela falta de segurança na cidade. ?Nossa segurança está uma beleza.

É coisa de se tirar o chapéu?, ironizou. ?Isso é resultado da incompetência da segurança pública. Pensei que meu filho estava em um bairro nobre, que tinha segurança. Mas descobri que só nessa rua roubam dois carros por dia?, disse.

Ele mora no Novo Mundo e estava em casa, quando foi avisado que Jeferson estava morto. ?Um rapaz jovem, tinha tudo pela frente, que estava cuidando da vida?, lamentou. ?Espero que, no mínimo, as autoridades esclareçam a morte dele.?

Daniel não quer que a tragédia de Jeferson seja um exemplo do descaso do governo com a segurança. ?Isso tem que acabar. Hoje foi meu filho, amanhã será o filho de outro. Quando vai parar? Só quando for o filho do governador, do secretário??.