Alberto Melnechulky / Tribuna
Bombeiros localizaram o corpo
de Alexandre caído numa fenda.

Um cantil e uma lata de atum vazios e a barraca estendida, mas não armada, indicavam os derradeiros esforços feitos por Alexandre Martins Maoski, 28 anos, em manter-se vivo na Serra do Mar. Desaparecido há 13 dias, ele foi encontrado morto em uma fenda da encosta do Itapiroca por uma equipe de bombeiros, no início da noite de sábado. Devido ao difícil acesso, o corpo só chegou ao IML de Campina Grande do Sul na manhã de ontem.

Alexandre foi acampar no Pico Paraná, juntamente com seu primo Daniel, no dia 19 de janeiro. O cansaço e o mau tempo fizeram os dois se separarem e, enquanto Daniel continuava a subida, Alexandre esperava seu regresso em uma clareira. Na segunda-feira, o primo desceu e não mais o encontrou. Voltou para casa, certo de que Alexandre teria feito o mesmo. A família só deu pela falta do rapaz na quarta-feira e as buscas tiveram início, mobilizando dez pessoas por dia, entre bombeiros, policiais florestais e voluntários. O helicóptero Gralha Azul 1 ajudava no trabalho de localização do desaparecido, porém, a densa vegetação e as freqüentes chuvas impossibilitavam uma boa visualização da área.

Desespero

A equipe comandada pelo tenente Schulli, composta pelos sargento Müller, cabos Mello e Nilson e soldado Júlio, localizou Alexandre deitado próximo à barraca estendida no chão. Segundo avaliação preliminar dos bombeiros, ele deve ter caído em uma fenda e machucado o braço, mas não apresentava lesões aparentes. Apesar do tempo em que passou desaparecido, o corpo não estava em decomposição, o que indica que Alexandre morrera a menos de dois dias. Ele pode ter sido vítima de hipotermia (frio) e inanição (fome e sede), mas somente a necropsia poderá dar a certeza da data e causa da morte.

Após a queda, o rapaz ainda teve forças para abrir a mochila e estender a barraca para aplacar o frio e abrir a lata de atum, ao lado da qual ficou o abridor. Segundo o tenente Schulli, é possível que se Alexandre não tivesse se machucado, teria conseguido se salvar. “Nos primeiros dias da busca, procuramos nas trilhas mais usuais, como não surtiu efeito, começamos a varredura nos lugares menos prováveis”, descreveu o bombeiro. Do ponto de entrada para o Pico Paraná, em Campina Grande do Sul, até onde Alexandre foi encontrado, são quatro horas de caminhada. O rapaz estaria retornando, quando pegou o caminho errado e se perdeu.