Juliano Borghetti, ex-vereador de Curitiba e irmão da vice-governadora, Cida Borghetti, foi preso na manhã desta terça-feira (15) junto com o responsável pela empresa Valor Construtora e Serviços Ambientais, Eduardo Lopes, e o filho dele, Gustavo Lopes. As prisões são complemento das investigações da Operação Quadro Negro, deflagrada em agosto para investigar desvios de recursos públicos que deveriam ir para obras em escolas da Secretaria Estadual da Educação (Seed).

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A prisão de Juliano é em caráter temporário (de cinco dias) e pai e filho em caráter preventivo (por até 30 dias), todas autorizadas pela Justiça. Pelo menos por enquanto, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que assumiu as investigações, descarta envolvimento de outros políticos no caso.

As investigações do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), feitas em agosto, concluíram que a Valor cumpria com uma porcentagem pequena das obras previstas em contratos, mas através de documentos falsos, recebia pelo serviço, mesmo que não tivesse realizado. Foram pelo menos dez contratos entre a Seed e a Valor Construtora e Serviços Ambientais, firmados entre 2011 e 2014, em que a empresa teria recebido cerca de R$ 25 milhões.

Na primeira etapa, foram presos, o ex-diretor da Secretaria de Estado da Educação, Maurício Fanini, e os donos da Valor, inclusive Eduardo Lopes, que era o responsável pela empresa. Em uma segunda etapa, bens em nome da construtora, avaliados em R$ 9 milhões, foram apreendidos pelo Nurce.

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A entrega do dinheiro era feita toda por debaixo dos tapetes. Os contratos apareciam como cumpridos, mas na verdade boa parte das obras não tinham sequer começado. Segundo o Gaeco, a suspeita é que, ao todo, tenham sido desviados R$ 20 milhões. Além das prisões, neste complemento das investigações, foi determinada a apreensão de um veículo importado, avaliado em R$ 200 mil.

Complemento

Gaeco ainda vai apurar a suposta participação de 
Juliano no esquema. Foto: Gerson Klaina.
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Juliano Borghetti, conforme o Gaeco, teria recebido da empresa valores mensais de R$ 15 mil para que agilizasse os repasses do estado. “Chegamos a essa investigação através de depoimentos de testemunhas, depois que as investigações do Nurce terminaram, mas a prisão acontece justamente para que possamos confirmar se os tramites foram realizados junto à Casa Civil ou não e se o ex-vereador teve mesmo envolvimento”, disse Leonir Batisti, coordenador do Gaeco.

Os três detidos passaram a manhã no Gaeco. No começo da tarde, eles foram levados para o Instituto Médico-Legal (IML) para exames e depois foram encaminhados ao complexo penal de Piraquara.

Além das prisões, o Gaeco cumpriu dois mandados de busca e apreensão, onde foram recolhidos R$9 mil em espécie que estavam com Juliano Borghetti, além da Mercedes, que estava em nome de uma terceira pessoa, mas era usada por um dos empresários presos. Se for comprovada a participação da empresa, o veículo será destinado para diminuir o prejuízo aos cofres da Seed.