Os promotores José Carlos Vellozo, Wagner Veloso Hultmann, Denílson Soares de Almeida e André Tiago Pasternak Glitz, do Ministério Público do Paraná (MPPR), disseram na tarde desta segunda-feira (16), que a operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para prender policiais civis e militares suspeitos de participação com jogos de azar segue em segredo de justiça.

“As investigações sobre o caso começaram em fevereiro de 2012 e prosseguem, mas as provas só poderão ser apresentadas quando for feita a denúncia e isso não deverá ocorrer antes de janeiro de 2014”, afirmou Almeida.

Os promotores disseram também que mais de 200 policiais e funcionários do Ministério Público do Paraná estiveram envolvidos na investigação e que as prisões da semana passada ocorreram para se obter mais provas sobre o caso e não confirmaram se as investigações têm relação com a batida policial em uma mansão que funcionava como cassino no Parolin, em janeiro de 2012.

A respeito da libertação do ex-delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Marcus Vinicius Michelotto, preso na última terça-feira (10), Soares disse que a mesma se deu por uma questão técnica. “O juiz entendeu que não havia mais necessidade de mantê-lo preso”, concluiu o promotor.

Meras ilações

O advogado Rodrigo Sanchez Rios, que atua na defesa de Michelotto, afirmou não haver a menor dúvida de que os fatos que levaram à prisão do seu cliente tem relação com a batida policial que ocorreu na mansão do Parolin.

“Aquela invasão foi realizada por agentes que não estavam acompanhados por um delegado e sem autorização judicial. Na época, o delegado Adilson do Gaeco disse que não havia nenhum envolvimento de policial no caso da “mansão cassino” e que a invasão ilícita desses agentes no local deveria ser apurada”, disse.

Rios afirmou também que o papel do delegado-geral é cobrar providências e, segundo ele, isso foi feito. “A defesa insistirá sempre na sua tese de que o procedimento do Gaeco direcionado a apurar algum ilícito em relação ao Dr. Michelotto é amparado em meras ilações, pois é muito comum que pessoas que têm vínculos com a prática ilícita possam usar o nome de pessoas sérias para querer obter alguma vantagem e isso não significa que essa pessoa esteja envolvida”.

Rios questionou a atuação do Gaeco que resultou na prisão de Michelotto alegando que a função do Ministério Público é investigar, “mas que não se faça todo este teatro prejudicando uma pessoa que tem 20 anos de serviços públicos. O que há de concreto contra o Michelotto? A interceptação telefônica na qual um agente que não tem uma ficha policial exemplar conversa com uma pessoa ligada à contravenção e cita o nome do Michelotto no caso da mansão. Isto é insuficiente para acusa-lo e prendê-lo, pois qualquer pessoa poderia querer prejudicá-lo”, conclui o advogado.