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Juarez, Edson, Valdemar e um desconhecido foram misteriosamente assassinados.

Seis meses depois do violento assalto a um ônibus de excursão, que deixou dois mortos e um ferido, a polícia ainda ?patina? nas investigações. Ontem, o delegado Rubens Recalcatti, titular da Delegacia de Furtos e Roubos, revelou que quatro suspeitos foram misteriosamente assassinados.

De acordo com o delegado, várias denúncias apontavam Juarez de Jesus dos Santos como um dos assaltantes. A polícia não tinha começado a investigá-lo, quando ele foi baleado no Parolin, em setembro do ano passado, e morreu no hospital. O comparsa dele, Edson Rogério Major, que fugiu da cadeia com Juarez, em julho de 2007, também teria praticado o roubo. No dia 3 deste mês ele foi assassinado em Piraquara, com tiros na cabeça, antes que a polícia o encontrasse.

Carnaval

No feriado de Carnaval, Valdemar de Oliveira, o ?Baixinho?, 23 anos, foi buscado em casa e morto, na Vila Chico Mendes, em Almirante Tamandaré. Quatro casas da região foram incendiadas horas depois. Por fim, um indivíduo que morreu há cerca de um mês, em Fazenda Rio Grande, também era alvo das investigações.

?Não acredito que as mortes estejam relacionadas entre si, muito menos que o caso do roubo esteja encerrado. O assalto ao ônibus de turismo é obscuro e certamente há outros envolvidos?, disse o delegado.

Assalto

O assalto aconteceu às 21h de 15 de agosto, quando o ônibus que seguia para São Paulo estacionou para apanhar outros passageiros na BR-116. Três homens armados invadiram o coletivo para roubar o dinheiro. O guia, Valdir Faria, 37 anos, e o passageiro Willian dos Santos, 18, foram assassinados a tiros, e o motorista Gilson Carmos Moreno, 31, foi ferido e sobreviveu.

Boatos dão outras pistas

Há quem diga que os verdadeiros assaltantes continuam à solta. No Boa Vista, bairro onde Willian morava, em Campo Magro, os boatos são de que os autores do crime são pessoas que a vítima conhecia. Dois homens, que moravam perto de Willian, o teriam assassinado, para que não fossem reconhecidos.

Muitos moradores atribuem o assalto e a morte a dois rapazes. Entretanto, ninguém se encoraja em denunciá-los à polícia. Estas informações também chegam anonimamente à família da vítima, que não sabe mais em quem acreditar. ?Recebemos ligações dizendo que os assassinos do meu filho moram aqui. Depois a gente descobre que outros suspeitos estão mortos?, disse a mãe de Willian, Sueli Catarina dos Santos, 54 anos.

Para ela, saber que quem matou seu filho pode estar morto não ameniza a dor. Apenas aumenta a dúvida. ?Para mim nada vai diminuir o buraco que Willian deixou em minha vida?, disse Sueli.