Os comerciantes vivem constantemente com medo.

O medo toma conta dos comerciantes que atuam na Rua Primeiro de Maio, localizada no bairro Xaxim, em Curitiba. O local é alvo constante de assaltantes e já está sendo considerado um dos mais violentos da capital. Armados com revólveres e facas, os bandidos costumam render comerciantes e clientes, levando dinheiro e mercadorias. Na maioria das vezes, os assaltantes chegam em dois ou três, pegam o que precisam e fogem de moto, bicicleta ou mesmo a pé.

Na última terça-feira, por volta das 19h, a proprietária de um salão de beleza, Beth Dzioba, se assustou quando um rapaz, que parecia ser maior de idade, entrou em seu estabelecimento dando voz de assalto. “No momento, havia dois clientes no salão. O ladrão trancou eles no banheiro e ficou comigo. Ele estava armado e fui obrigada a fazer tudo que ele queria”, conta. “Ele levou dinheiro e equipamentos do salão, fugindo de bicicleta. Tive um prejuízo de cerca de R$ 700”.

A lotérica do comerciante José Wierzbycki foi assaltada quatro vezes nos últimos meses. A última ocorrência foi registrada no dia 29 de dezembro. “Eram dois rapazes e um garoto menor de idade. Um deles parecia estar armado com uma pistola. Não tive o que fazer a não ser entregar tudo o que eu tinha”, afirma. “Os bandidos assaltam a qualquer hora do dia ou da noite. Dá até medo de vir trabalhar”.

No supermercado da comerciante Matilde Karvat, além de roubar, os bandidos feriram uma pessoa. Em um assalto realizado no final de 2002, o irmão de Matilde, mesmo sem reagir ao que estava acontecendo, foi jogado no chão pelos ladrões e teve uma costela fraturada. “Depois que os bandidos foram embora, nós chamamos a polícia, mas não adiantou. Os policiais só chegam depois que as coisas já aconteceram”.

Os comerciantes sentem falta de mais patrulhamento ostensivo na região. A falta de policiais faz com que cada um se defenda como pode. Beth colocou grades ao redor de seu salão. No período de Natal e Ano Novo, quando o movimento de clientes é maior, Matilde contratou um segurança particular para cuidar de seu supermercado. Já José pensa em instalar câmeras dentro de sua lotérica. Outras pessoas estão apelando para alarmes, trancas e cães de guarda.

Trabalho

Segundo o comandante da primeira companhia do 13.º Batalhão da Polícia Militar, Arildo Medeiros Dias, foram registradas, na região em que se localiza a rua Primeiro de Maio, 58 ocorrências no ano 2002. Em 2003, foram 54. No total, são duas viaturas e mais equipe de patrulheiros de moto cuidando da segurança. “Estamos fazendo um trabalho junto à comunidade para que ela trabalhe em parceria com a polícia, fazendo denúncias e transmitindo informações. Nossa idéia é nos aproximar da comunidade e, assim, diminuir o número de ocorrências”, afirma. No futuro, de acordo com Arildo, novas viaturas também devem ser colocadas para fazer a ronda na região.