Depois de passar 78 dias preso injustamente na delegacia de Fazenda Rio Grande, suspeito de ter roubado um mercado em Contenda, o florista Giovani Aparecido da Silva, e outros dois rapazes foram colocados em liberdade por determinação judicial.

O assalto aconteceu por volta das 9h, de 25 de fevereiro, e a prisão aconteceu cerca de três horas mais tarde, quando eles estavam pescando em uma cava e foram confundidos com os bandidos, que abandonaram o carro usado no crime, nas proximidades.

Apesar de diversas provas que os inocentavam, a verdade só veio à tona em 2 de maio, 67 dias após o crime, quando um adolescente foi apreendido e um homem preso e reconhecidos através das filmagens do sistema de segurança do mercado. Mesmo toda a história esclarecida, os três inocentes ainda ficaram presos por mais nove dias até ganharem a liberdade na sexta-feira.

Abordagem

Debilitado, assustado e com medo, Giovani disse que o momento mais tenso foi na abordagem, quando ainda estavam com os equipamentos de pesca, e policiais militares se mostraram determinados a qualquer coisa para provar que o trio era culpado.

Durante entrevista concedida na manhã de ontem para a Tribuna, Giovani fez muitas denúncias, entre elas o desvio de conduta de policiais militares e civis, abuso de autoridade, ocultação de provas, desvio do dinheiro recuperado no roubo, e até tortura e homofobia, já que o rapaz é homossexual e sofreu constrangimento durante o tempo em que esteve preso.

O superintendente Valdir, da delegacia de Fazenda Rio Grande, contou que desde o início desconfiou de algo errado na prisão e continuou as investigações, principalmente porque a imagem do sistema de segurança do mercado não era fiel.

No entanto, eles foram mantidos presos porque a Polícia Militar confirmou que a prisão aconteceu minutos depois de eles trocarem tiros com os rapazes, e que eles foram vistos no carro abandonado próximo da estrada de acesso as cavas, além disso, o dono do mercado fez o reconhecimento em 100%.

Justiça

Com a apreensão do adolescente e prisão de Vanderlei Augusto dos Santos, 31 anos, foi confirmada a inocência dos três rapazes, e mesmo assim, eles não foram liberados.

O superintendente explicou que mesmo o delegado sendo autoridade máxima dentro da delegacia, só pode prender ou soltar alguém por determinação judicial. O juiz concedeu a liberdade na sexta-feira.