Daniel Derevecki
Jóias, dinheiro, bilhetes de loterias, carros e vários ?pacos? foram apreendidos com os golpistas.

Apontados como líderes de uma quadrilha de estelionatários, especializada em aplicar o golpe do ?bilhete premiado?, Edson de Almeida Rocha, 45 anos; Jorge Gordia Cachorroski, 39; Eliseu dos Santos Bittencourt, 57; Antônio Carlos Pressoto e Ademar Nery foram presos.

Com eles a polícia apreendeu vários pacotes falsos de dinheiro, conhecidos na giria como ?pacos? (papéis cobertos com uma cédula verdadeira), bilhetes de loterias, jóias, dinheiro e quatro veículos. A suspeita é de que os vigaristas, que buscavam lesar idosas ricas, tenham conseguido arrecadar mais de R$ 1 milhão com os golpes.

Segundo informou o delegado Marcus Vinícius Michelotto, titular da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (Dedec), as investigações começaram em dezembro do ano passado, depois que várias vítimas procuraram a especializada, revelando terem sido lesadas com o golpe do bilhete. Após apurar nomes de suspeitos, foi solicitada autorização da Justiça para que fossem feitas escutas telefônicas. ?Através das escutas chegamos aos integrantes da quadrilha, que é muito bem organizada?, disse o delegado.

O diferencial dos vigaristas, para aplicar o golpe, é que escolhiam as vítimas com antecedência, não as abordando nas saídas de bancos, como outros estelionatários fazem. ?Eles escolhiam as pessoas e ficavam nas proximidades da casa delas, onde faziam as abordagens e o teatro?, explicou o delegado. Segundo ele, o bando preferia idosas de boa situação financeira.

Prisão

Antônio e Ademar foram presos quando aplicavam o golpe em Blumenau (SC). Ontem, policiais da Estelionato prenderam outros três, que estavam com mandados de prisões decretados. Eliseu foi surpreendido em um hotel no Balneário de Camboriú (SC); Jorge em sua casa, no bairro Rio Pequeno, em São José dos Pinhais; e Edson, em Curitiba.

Para aplicar o golpe, o estelionatário fingia ser uma pessoa humilde e ingênua. Ele se aproximava da vítima com um bilhete nas mãos e pedia ajuda. Em seguida, um cúmplice chegava. Este aparentava ser uma pessoa culta e bem-sucedida, que propunha trocar o bilhete por um valor menor, induzindo a vítima a fazer o mesmo. Para dar veracidade, eles telefonavam para um outro comparsa, que se passava por gerente da Caixa Econômica, e confirmava que o bilhete era mesmo premiado.

Embora os estelinatários tenham sido presos, a polícia não liberou fotos deles, o que poderia ajudar no reconhecimento por parte de mais vítimas. Segundo o delegado, advogados dos acusados impediram a divulgação de imagens.