A Procuradoria-Geral do Município (PGM) abriu sindicância para investigar a suspeita de abuso sexual contra uma menina de 4 anos, praticado por um educador do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Rio Negro, no Sítio Cercado. O caso foi divulgado na noite de terça-feira, no site da prefeitura.

A denúncia foi feita há três semanas por uma educadora que trabalha na creche e disse ter presenciado o colega com a menina no colo e com as mãos dentro do vestido da criança.

Segundo informações da assessoria de imprensa da prefeitura, o servidor tem 40 anos, é formado em Direito e namorava fixo há quase 10 anos. Ele foi afastado de suas atividades e a menina passou a receber acompanhamento psicológico. Na segunda-feira, a família da criança foi chamada à creche e comunicada sobre o caso.

De acordo com a nota da prefeitura, em telefonema à mãe da criança, a secretária municipal de Educação, Eleonora Fruet, lamentou o ocorrido e garantiu rigor nas investigações. A secretaria municipal informou que providenciou apoio psicológico para a família.

Isolado

A diretora do Departamento de Educação Infantil da Secretaria, Ida Regina Moro Milléo de Mendonça, afirmou que os pais das crianças matriculadas no centro de educação podem ficar tranquilos, pois se trata de um “caso isolado”. O servidor foi ouvido, na manhã de ontem, mas o conteúdo do depoimento não pode ser divulgado.

A prefeitura informou que a escolha de educadores é feita por concurso público e o aprovado é submetido a exames médicos e psicológicos antes de entrar em contato com crianças, que têm até 5 anos.Ele também tem que cumprir estágio probatório de três anos. O educador denunciado estava prestes a concluir o estágio.

Comportamento alterado


Fábio Schatzmann

A mãe da menina, de 35 anos, está indignada por ter sido avisada somente 15 dias após descoberto o caso. Ela questionou porque, se outros professores viram a cena, não chamaram a polícia para prender o educador em flagrante.

“Minha filha começou a ficar tristinha e voltou a fazer xixi na cama. Pensávamos que era uma gripe”, comentou. Pela orientação do apoio psicológico, ela não pôde interrogar a criança e teve que aguardar ansiosa para que a menina desabafasse espontaneamente.

Há cerca de dois dias a criança contou tudo que vinha sofrendo. “Ele a abraçava, beijava e acariciava suas partes íntimas. Caso contasse para alguém ele ameaçou que iria bater nela e no irmão, que estuda na mesma creche.”

Crises

A criança ainda tem crises de choro, fica quieta pelos cantos da casa e com vergonha quando lembra do que viveu. “Estamos lutando para superar o trauma, mas é muito difícil. Tento não deixar transparecer minha revolta para não afetá-la”, relatou a mãe. Ela garantiu que não irá medir esforços para que o autor seja responsabilizado.