A vulnerabilidade a que estão expostos guardas municipais, resultou na morte de Joel Franklin, 45 anos, no início da noite de ontem. Ele levou um tiro no rosto e teve sua arma particular e o colete balístico da instituição levados por assaltantes.

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Joel havia acabado de assumir o serviço no Parque da Barreirinha, e estava responsável por cuidar sozinho de 275 mil metros quadrados, até a manhã seguinte. Joel é o quinto guarda municipal morto, desde o ano passado.

Segundo contaram colegas de trabalho de Joel, ele assumiu o serviço às 18h. Às 19h, quando uma equipe foi ao local para ronda e para levar a arma da instituição para Joel trabalhar, o encontrou morto na porta da sede da Guarda no parque.

Acredita-se que dois homens numa moto escura entraram no local e mataram Joel para roubar sua arma. Como o local é escuro e rodeado de mato, ninguém viu o que aconteceu.

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Dois homens numa moto foram as únicas pessoas vistas saindo do parque, naquele intervalo de tempo, por funcionários da Sanepar que realizavam obras na entrada.

Luta

Joel tentou reagir, pois havia sinais de luta dentro da sede e o capacete do guarda municipal estava caído e com a viseira quebrada. A moto que ele usava em serviço também estava derrubada ao chão.

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O delegado Fábio Pereira, da Delegacia de Homicídios, não descarta a hipótese de Joel ter levado um tiro da própria arma, um revólver calibre 38, enquanto lutava com os assaltantes.

“Como se trata de um latrocínio (roubo com morte), a Delegacia de Furtos e Roubos assumirá as investigações.” Joel morava em Colombo, era casado e tinha dois filhos. Trabalhava na Guarda Municipal há 20 anos e há cerca de quatro meses estava lotado no parque.

Trabalho inseguro em toda a cidade

Mais de 100 pontos em Curitiba possuem guardas municipais trabalhando de forma vulnerável, assim como Joel Franklin, dentro do Parque Barreirinha. São guardas que realizam trabalhos noturnos, sozinhos e, muitas vezes, desarmados, em locais de alto risco. A constatação é do diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba, Diogo Monteiro.

O diretor denunciou que mais um colega morreu em serviço, por falta de planejamento da prefeitura. “Será que vão esperar morrer 15 pra tomarem providências?”, disse o sindicalista.

Emoção

O supervisor José Aparecido, segurando o choro, desabafou que a morte de Joel é incompetência do comando, em deixar que uma pessoa trabalhe sozinha, num local ermo e escuro como o Parque da Barreirinha. “Não existe segurança de uma pessoa só. Os marginais notaram essa facilidade e planejaram o roubo”, disse o supervisor.

José também comentou que não era correto Joel trabalhar com arma particular. Mas, conforme avaliou, seu colega não queria ficar vulnerável, até a chegada da arma da corporação. O supervisor também reclamou que a burocracia e a falta de armamento apropriado fazem com que guardas procurem se armar por conta própria.

Greve anunciada

No local do crime, vários guardas municipais cogitaram a possibilidade de nova greve. “Na última paralisação, o coronel Itamar (dos Santos, secretário municipal de Defesa Social) prometeu que nenhum guarda trabalharia sozinho. No início, a promessa até funcionou. Mas passaram-se poucas semanas e voltamos a trabalhar sós em locais vulneráveis, de alto risco”, reclamou um guarda, que preferiu não se identificar.

Guardas municipais pararam de 22 de fevereiro a 3 de março. Mas de todas as reivindicações que pediram, a única que conseguiram foi o aumento de salário em 20%. O restante das condições de trabalho que pediam melhorias ficaram para trás.