Foto: Osvaldo Ribeiro/Sesp

Patrícia negou qualquer envolvimento no assalto.

Baleada durante o assalto a um posto de gasolina, em maio deste ano, a funcionária Patrícia Cabral da Silva, 22 anos, foi indiciada por roubo pelo delegado-titular da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR), Rubens Recalcatti. De vítima, a jovem passou a suspeita de participação no crime, depois que uma gravação contendo uma suposta conversa de Patrícia com um dos envolvidos no assalto, Luiz Carlos Cândido, foi apresentada à polícia no início da semana. A gravação foi entregue pelo advogado do acusado, José Carlos Veiga, e denuncia a participação de Patrícia na elaboração do assalto, além de indicar que ela pediu para levar um tiro com o intuito de exigir uma indenização de R$ 150 mil do estabelecimento.

?Com as gravações apresentadas pelo advogado, podemos afirmar que ela é suspeita de participar do crime?, afirmou Recalcatti. O delegado, agora, irá esperar pelo resultado da perícia da gravação, encaminhada ao Instituto de Criminalística, que irá determinar se ela é verdadeira. ?O confronto das vozes também será feito para que se comprove se as vozes da fita são realmente de Patrícia e Luiz Carlos?, explicou o delegado.

Intimada a depor, ontem a funcionária negou ter participação no crime. ?Ela alega que a voz não é dela?, contou Recalcatti. Apesar da negativa, o delegado adiantou que caso fique comprovado que a gravação não foi montada e que a voz é realmente de Patrícia, a prisão preventiva da jovem deverá ser solicitada. Exames preliminares da fita já foram realizados, mas o resultado não foi divulgado. Na seqüência das investigações, a gravação será encaminhada a nova perícia, a ser feita em outro estado.

Crime

O assalto ao posto de combustíveis aconteceu no dia 14 de maio, no centro de Curitiba. Três homens invadiram o estabelecimento e renderam Patrícia e um frentista no escritório da loja de conveniência. Antes de fugirem com um cofre, com aproximadamente R$ 60 mil, um dos assaltantes voltou até o escritório e disparou contra Patrícia, que estava grávida de 17 semanas. No final de maio, Thiago dos Santos Florão foi detido, suspeito de participação no crime, e foi reconhecido por Patrícia como um dos assaltantes. Porém, a polícia descobriu que Thiago não teve envolvimento com o roubo e chegou até Márcio Leandro Resende, Luiz Carlos Cândido e Sidimar Tiago Oliveira. No último dia 20, Patrícia deu à luz uma menina e, até a aparição da fita, era considerada apenas uma vítima pela polícia. Dos três assaltantes, apenas Sidimar está preso. Os demais estão foragidos.