Os depoimentos do presidente e do vice-presidente da Associação Paranaense de Obras Públicas (Apeop), Emerson Gava e Fernando Afonso Gaissler Moreira, apresentaram informações contraditórias quanto à presença de uma máquina de bingo na associação, segundo a polícia. Os dois foram ouvidos entre a noite de anteontem e a manhã de ontem no Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) do Estado.
A polícia ouviu de uma testemunha que as empresas eram sorteadas para executar as obras nas licitações ditas fraudulentas por uma bingueira (máquina de bingo), dentro da Apeop. O sistema teria sido trocado mais tarde por papeizinhos em caixas de sapato, já que deixara a artimanha muito evidente. O presidente da Apeop, Emerson Gava, afirmou em seu depoimento que a bingueira realmente existia, mas que servia "apenas para sorteio de prêmios entre os associados". Já Gaissler disse à polícia que não havia nenhuma máquina do tipo na associação.
No tocante às licitações da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), Gava e Gaissler negaram existência de fraudes, apesar de terem admitido que houve uma reunião na entidade com empreiteiros para tratar do assunto, mas apenas no âmbito de preços de insumos. Eles disseram não lembrar de quem exatamente participou da reunião, justificando que "promoviam diversos encontros sobre diversos assuntos e diferentes pessoas participavam das reuniões", citou o delegado Sérgio Sirino. O vice-presidente teria afirmado que os empresários apenas queriam saber se seria possível diminuir os custos das obras para chegar a um valor 25% inferior.
Para esclarecer as anotações contidas na agenda enviada ao Instituto de Criminalística (IC) na terça-feira, foram chamados para depor ontem o empreiteiro Ênio Cunha Júnior, diretor da construtora onde a agenda foi recolhida pela polícia, a Empo, e sua secretária. Na agenda há evidências de combinação antecipada de valores para execução de obras viárias na RMC, o que teria levado ao cancelamento de um edital expedido pela Comec. O empreiteiro disse à polícia que não se tratava de informações oficiais, e que a mesma era usada apenas como "bloco de anotações" feitas por um funcionário. "Vamos chamar este funcionário para prestar depoimento também. Mas o que vai comprovar realmente de quem eram as anotações é o laudo do IC", afirmou Sirino.
Defesas
O advogado Roberto Brzinski – que defende o presidente e o vice da Apeop, Emerson Gava e Fernando Gaissler – afirmou que seus clientes tão – somente "apresentaram suas versões dos fatos".
O sócio-diretor da Delta S.A., Fernando Cavendish, seu gerente comercial, Alberto Quintaes, e o diretor da Construtora Triunfo, Luis Fernando Wolff, também foram interrogados entre terça-feira e ontem. Por meio do advogado René Ariel Dotti, a Delta disse não ter feito qualquer acordo dessa natureza nem possuir relacionamento com a Apeop. Luís Fernando Wolff também negou em seu depoimento que teria envolvimento com a associação tanto nesta licitação, pertencente ao DER, como em outra, da Comec, em que a empresa foi desclassificada, mas venceu um mandado de segurança para obtenção de despacho favorável. O inquérito da operação Grande Empreitada deve ser concluído hoje.


