A Polícia Militar apresentou ontem o Gladiador, veículo blindado que pode ser adquirido pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp) para fortalecer o combate à criminalidade no Paraná.

A expectativa é que o novo produto, caso seja aprovado pelo governo, auxilie em ações antiterrorismo -visando a Copa do Mundo de 2014 -, no patrulhamento na fronteira com o Paraguai, e em operações de risco em todo o território paranaense.

O veículo seria usado principalmente pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). O tenente-coronel Nerino Mariano de Brito, comandante do Bope, afirmou que esta não é uma necessidade urgente da polícia paranaense, mas considera que o Gladiador traria muitas vantagens.

“Um veículo blindado auxilia o policial a se aproximar da ocorrência e interceptar e prender criminosos, com a segurança necessária”, afirmou. “Com a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, é um recurso a mais no combate ao terrorismo”, acrescentou.

De acordo com Nerino, uma das principais funções do veículo seria o apoio em operações na fronteira. “Nessa região, a polícia pode ser recebida com tiros vindos da margem vizinha e o blindado serve como cobertura, permitindo que o policial se aproxime com proteção”, detalhou.

Prático

Apesar da imponência e robustez, o Gladiador é considerado um veículo de bastante praticidade, podendo ser usado em diferentes ações policiais. Uma delas se refere à tomada de reféns por parte de marginais.

Para Nerino, o blindado pode ser muito útil contra bandidos barricados, fortemente armados e em situação de dominância, com reféns. “É algo que vem se tornando rotineiro no Brasil”, afirmou.

O veículo é capaz de derrubar muros e paredes, o que facilita a entrada em locais de refino de drogas, onde os criminosos estão equipados com armamento pesado para impedir a chegada da polícia. O Gladiador também seria usado na invasão de favelas e regiões de terrenos irregulares.

Câmeras e aberturas pra atirar

O Gladiador é considerado um blindado leve – pesa 6,3 toneladas – com tração 4×4. Tem capacidade para sete ocupantes, incluindo o motorista, e as portas abrem nas laterais e na traseira.

O veículo é indicado para qualquer tipo de solo, é equipado com motor MWM de 185 cavalos e alcança até 105 quilômetros por hora. Possui quatro câmeras, para monitoramento externo, e sete aberturas para as armas. O pneu possui uma cinta, que permite, em caso de furo, percorrer mais cinco quilômetros. O veículo é fabricado pela Inbrafiltro.

Demonstração à base de chumbo grosso

Átila Alberti
Teste de resistência teve disparos de variados calibres.

Na tarde de ontem, policiais do Bope simularam situações de conflito para apresentar o Gladiador, na Academia Policial Militar do Guatupê, em São José dos Pinhais. Participaram da demonstração equipes da Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone) e do Comando e Operações Especiais (Coe).

A primeira prova analisou a eficácia da blindagem. Tiros de grosso calibre foram disparados contra o veículo, que nada sofreu, a não ser marcas na lataria. Os policiais começaram usando pistolas calibre ponto 40 e nove milímetros e, em seguida, evoluíram para tiros de calibre 12 e de fuzil AR-15.

Mesmo assim, nada que afetasse a estrutura do veículo. Houve dano em apenas um disparo, que ricocheteou e quebrou o espelho retrovisor. Profissionais da imprensa puderam acompanhar os disparos de dentro do veículo.

“É estranho ter alguém, apontando uma arma para você, principalmente sabendo que os tiros são reais. Na hora do disparo, a gente percebe o impacto, porque a porta treme, mas não se ouve tanto o estampido. Mesmo assim, a sensação é de segurança”, afirmou Átila Alberti, repórter fotográfico da Tribuna.

Simulação

Os policiais ainda fizeram simulações de técnicas de avanço em áreas de risco e combate, usando o Gladiador como escudo. Também testaram as seteiras (aberturas para permitir disparos das armas) e, de dentro do veículo, atiraram contra alvos.

Relatório

Átila Alberti
Blindagem aprovada.

Os testes com o Gladiador deverão ser realizados até 22 de agosto, em diversos ambientes, em Curitiba e região metropolitana, e na fronteira com o Paraguai. A intenção da polícia é verificar as reais condições do blindado no enfrentamento da criminalidade e sua viabilidade em terrenos urbanos e rurais.

“Ao final dos testes, um relatório será enviado para a Sesp, que irá analisar o custo-benefício do veículo e recomendar ou não sua aquisição. Também será enviado relatório para o fabricante, com eventuais alterações se forem necessárias”, explicou Nerino.