Portos Casela
"Xuxa" pode ter sido
violentada pelo assassino.

Em menos de 40 dias, Rosicléia Mendes, 40 anos, sentiu na pele a dor pela perda de dois filhos, na Vila Parolin. Ontem pela manhã ela foi avisada, em sua residência, do assassinato de Priscila Eva Mendes, 17, mais conhecida na região como "Xuxa". O corpo da jovem foi encontrado em um terreno baldio na esquina das ruas João Parolin e Montese. Ela apresentava sinais de estrangulamento e estava nua da cintura para baixo. A calça jeans e a calcinha que usava estavam jogadas ao lado do corpo. Somente exames complementares, que serão realizados no Instituto Médico Legal (IML), poderão determinar se a adolescente manteve relações sexuais antes de ser assassinada. Conforme a mãe, "Xuxa" era garota de programas e viciada em crack.

A vítima foi vista pela última vez na noite de quinta-feira, em casa – situada na própria Vila Parolin – quando apareceu para trocar de roupa e logo saiu, sem dizer para onde iria. Rosicléia nem se preocupou com o modo de agir da filha, pois a garota tinha o costume de dormir fora e, às vezes, permanecia cerca de três dias sem dar notícias.

Nem mesmo diante do corpo da filha, estirado no chão do terreno baldio, Rosicléia entrou em desespero. Apresentava um semblante triste, mas não perdeu o controle, conversando normalmente com policiais e imprensa. Parecia ter consciência de que sua filha, pela vida que levava, poderia ter esse fim. Para a imprensa, a mãe apenas lamentou a perda de mais um filho e pediu para que o responsável pelo assassinato fosse encontrado e preso. "Tentei tirar a "Xuxa? da vida das drogas. Internei a menina três vezes, mas não adiantou. Ela não queria ajuda", lamentou a mãe, que tem outros três filhos.

Investigação

Rosicléia e vizinhos que a acompanhavam não souberam apontar algum suspeito. Apenas foi comentado que uma outra moradora no Parolin foi assassinada do mesmo modo que Priscila, há alguns meses. As suspeitas por esses dois crimes recaem em um misterioso homem que trafega em uma motocicleta pela região e que estaria aterrorizando garotas de programa. Essas informações foram repassadas aos policiais da Delegacia de Homicídios que compareceram ao local. De acordo com o investigador Sérgio, as informações obtidas serão averiguadas.

Irmão morto no mês passado

Na edição de ontem da Tribuna, uma reportagem alertava sobre o recrudescimento da violência no Parolin. Quatro assassinatos foram cometidos em 20 dias. Com a morte de "Xuxa", a estatística aumenta. Em julho outros dois homicídios ocorreram no bairro. No dia 2, Johnny Mendes Antônio, 16 anos, foi baleado na Rua Eugênio Parolin. Eram 23h e o adolescente estava no aniversário de um familiar, quando um indivíduo chegou e efetuou vários disparos. Johnny levou três tiros e morreu. Luciana, 21, que seria tia da vítima, também foi baleada no braço e encaminhada ao Hospital do Trabalhador. O autor dos tiros saiu correndo em seguida. Johnny e "Xuxa" eram irmãos.

Um dia depois desse assassinato, foi a vez de Braz Valdevino dos Santos Lima, 38, ser executado num corredor de passagem próximo à Rua Padre Isaías de Andrade.