Para fugir do ex-amásio, a costureira Eva Alves, 35 anos, tentou se esconder na casa de amigos, na Rua Gustavo Schneider, Vila Luana, CIC, às 20h50 de sexta-feira, mas não conseguiu escapar da loucura do homem. Ele invadiu a residência e atirou para todo o lado, sem se importar com as três crianças que corriam para escapar dos projéteis.

Além de Eva, Everaldo Meneguel, 30, e Odair Alves dos Reis, 36, foram baleados e encaminhados ao Hospital do Trabalhador pelos socorristas do Siate, onde deram entrada às 22h. Atingida por três disparos, Eva não resistiu aos ferimentos e morreu meia hora depois. As outras vítimas permaneciam no hospital até a manhã de sábado. O estado de Odair é delicado, de acordo com o boletim médico. Everaldo terá que amputar uma das pernas.

Tiros

Uma amiga de Everaldo, com as duas filhas (de 1 e 3 anos), tinha ido visitá-lo pouco antes de a confusão começar. Estavam eles e mais Odair e o filho de Everaldo, de 9 anos, quando Eva entrou e, em seguida, veio o companheiro dela, identificado como Osias Tibúrcio, aproximadamente 35 anos, também conhecido por “Feio”. Com o revólver em punho, ele começou a atirar tentando acertar em Eva. “Sai da frente, sai da frente”, gritava, ao mesmo tempo que que atirava, segundo relato da mãe das meninas. Não adiantava, pois Eva usava os amigos como escudos humanos, escondendo-se atrás deles. As crianças corriam de um lado a outro e a mãe, com a filha menor no colo tentava, em vão, conseguir abrigo nos outros cômodos da casa, já que o atirador bloqueava a saída.

De acordo com o número de disparos ouvidos, a arma foi descarregada dentro da casa. Um dos tiros atingiu a parede e os outros acertaram a perna de Everaldo, rompendo a artéria femural, a barriga de Odair, e a barriga (duas vezes) e as costas de Eva. Depois de quase ter provocado uma chacina, o atirador fugiu. Os soldados Maestrelli e Ferreira, do 13.º BPM, atenderam a ocorrência e seus companheiros patrulharam a região, em busca do acusado, mas ele não foi encontrado.

Antes dos tiros, Eva já havia fugido de Osias, de acordo com parentes dela. Ela havia ido visitar a irmã, quando Osias invadiu a casa com a arma em punho, avisando que iria matar a ex-amásia, com quem conviveu durante dois anos e estaria separado há dois meses. A mulher pulou a janela e conseguiu escapar, mas foi perseguida e tentou se refugiar na casa dos vizinhos. A moradia ao lado estava fechada. Encontrando a porta da casa de Everaldo aberta, Eva a invadiu na tentativa de salvar sua vida, mas de nada adiantou. “Ouvi os tiros e acionei a polícia através do telefone 190. Eva ainda conseguiu sair da casa do Everaldo e caiu ferida em frente à minha”, disse uma vizinha que preferiu não se identificar.

Ela contou que antes de ser socorrida, Eva chegou a mencionar que o autor dos tiros era Osias. “Vimos ele caminhando tranqüilamente com a arma nas mãos e ainda tem as testemunhas que presenciaram tudo”, relatou a mulher.

Ela comentou que após se separar de Eva, Osias tentou se reconciliar e passou a ameaçar a ex-amásia. “Osias dizia que se a Eva não fosse dele, não seria de mais ninguém e a ameaçou várias vezes. Ela amava os filhos de 12 e 8 anos e para protegê-los mandou que fossem morar com seu ex-marido no Norte do Paraná”, contou a mulher.