A precariedade do Instituto Médico-Legal de Curitiba (IML) pode ser vista nas ruas a todo instante. Nem mesmo viaturas próprias o órgão possui, tanto que se obrigou a emprestar e modificar ambulâncias do Siate, que não tinham mais condições para operar no socorro às vítimas, para recolher corpos.

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O desgaste dos veículos explica-se pela distância que percorrem. São 24 horas ininterruptas nas ruas da capital e de 27 municípios da região metropolitana. Essa realidade foi denunciada no Paraná-Online, no domingo. O resultado foi uma manifestação de funcionários denunciando outros absurdos que acontecem nas dependências do órgão, e que não são do conhecimento da população.

Enquanto os motoristas são obrigados a contar com a boa vontade de desconhecidos para recolher corpos, auxiliares de necropsia passam por situações humilhantes durante o trabalho. Segundo uma das denúncias, durante um plantão, o auxiliar, sozinho, chega a fazer necropsia em até 20 cadáveres, fruto de morte violenta ou não. ?O médico legista nem sequer toca no cadáver?, diz um funcionário.

Enquanto o auxiliar tem em suas mãos facas e agulhas sem fio, o que o obriga a fazer muita força para operar o cadáver, os médicos têm em mãos apenas caneta e papel. Chegam a ficar de costas para o auxiliar, que apesar de não ter esta função, acaba atuando como médico. É ele quem conta o que vê no corpo para o médico preencher os relatórios. ?As funções parecem que se inverteram?, reclamam.

Injustiça

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Outro funcionário conta que, com tanto trabalho, muitas vezes não há tempo para ir ao banheiro ou fazer uma refeição. O que não acontece com os médicos, que têm horário livre para chegar e ir embora. Outra revelação feita por um auxiliar é que eles são obrigados a operar as máquinas de raio-X e ficar horas dentro da sala com radiação prejudicial à saúde. ?Há médicos radiologistas que ganham para fazer o trabalho, mas raramente são vistos no IML?, garantem . ?Durante o tempo que trabalho como auxiliar só os vi umas duas vezes. Sempre quem tem que passar os corpos no raio-X é o auxiliar de necropsia. Temos que ficar embaixo dos raios procurando pelas balas por horas até encontrar?, assegura outro funcionário.

A indignação dos auxiliares está na falta de condições de trabalho e no reconhecimento da função. O salário deles é de R$ 1.100, sem direito a receber por insalubridade. Por e-mail, um funcionário desabafa: ?O governo diz que o local não é insalubre, por isso não paga gratificação. Mas, os próprios PMs que agora trabalham aqui não possuem coragem de encostar nos mortos. Têm nojo. Espero que o que eu disse sirva para o governo e o povo terem consciência de quem somos e o que fazemos para sermos tratados como lixo?, finalizou o funcionário.


2002: Funcionários brigam por salário. (Fotos: Arquivo)


2004 (setembro): Viaturas sucateadas.


2004 (dezembro): Falta gente pra trabalhar.


2006: Camburão consertado com fita adesiva.


2007: Consertos continuam improvisados.


2008 (fevereiro): Intervenção sem resultado.