?Isso aqui é uma panela de pressão velha que está prestes a explodir.? Foi assim que a assistente social Gilsonia Marchioro definiu a situação do Centro de Socioeducação (Cense) São Francisco antigo Educandário São Francisco – em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Ontem pela manhã, os funcionários se recusavam a entrar no local para trabalhar alegando falta de segurança.
O estopim da crise no local foi a rebelião ocorrida da última terça-feira, quando três funcionários foram gravemente feridos dentro da unidade e outros sofreram diversas escoriações.
| Foto: Daniel Derevecki |
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| Isso aqui é uma panela de pressão velha que está prestes a explodir. "Gilsonia Marchioro, assistente social." |
Socioeducadores, assistentes sociais, psicológicos, professores e pedagogos se reuniram em frente ao Cense e não entraram para o turno que começava às 7h.
?Não existe condição de trabalho, falta pessoal e segurança aqui dentro. É muito complicado?, disse o socioeducador, Reginaldo Almeida.
Segundo ele, apenas nove educadores atendem a quase 150 adolescentes, enquanto o correto seria cada profissional atender a apenas cinco adolescentes.
?Foi feito um concurso em março de 2006, mas ninguém foi chamado?, disse. E para piorar a falta de pessoal, diversos funcionários estão afastados por problemas de saúde.
Os funcionários garantem ainda que as rebeliões dentro da unidade são constantes, mas nem sempre divulgadas.
No dia 22 de maio, dois agentes foram rendidos por três adolescentes que estavam armados com estoques (pedaços de ferro e escovas de dentes afiadas). Eles conseguiram pular o muro, mas foram capturados pela policia. Outro problema é o uso de drogas, que os funcionários não conseguem conter.
| Foto: Daniel Derevecki |
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| Não existe condição de trabalho, falta pessoal e segurança aqui dentro. É muito complicado. "Reginaldo Almeida, sócioeducador." |
Para o professor de Educação Física Silvio Fraguas, que trabalha há 13 anos no local, a situação no Cense piorou a partir da ampliação das alas, que ele chamou de ?febenização?.
Segundo Fraguas, antes existiam apenas três alas onde os adolescentes eram separados por perfil, idade ou comprometimento. Hoje são sete alas. ?Eles achavam que os grupos menores iriam enfraquecer, mas ocorreu exatamente o contrário?, disse.
A mesma opinião tem Gilsonia. ?As alas são provisórias o que facilita a vazão por falta de funcionários?, disse.
Todos esses problemas já foram relatados para a Secretaria de Estado da Criança e da Juventude (SECJ) e até registradas em cartório.
Depois de uma reunião com a direção da unidade, os funcionários entraram para trabalhar. Um grupo de servidores foi discutir o assunto com a secretária da Criança e da Juventude, Thelma Alves de Oliveira.
Por volta das 11h, quatro internos foram transferidos da unidade. Eles seriam os líderes da última rebelião e deveriam seguir para a Penitenciária Central. Minutos mais tarde, outros dois adolescentes foram levados para o Centro de Socioeducação Fênix.
Familiares estão revoltados
A família do funcionário Ilton Adão de Araújo, 61 anos, que foi espancado durante a rebelião e levou mais de 150 pontos na cabeça e rosto, e teve os dois braços quebrados, está revoltada com a situação.
Os familiares querem que os internos sejam indiciados por tentativa de homicídio e não lesões corporais. ?Eles queriam matar o meu pai, e quase conseguiram?, disse Márcio Araújo, que também é sócio-educador e trabalhou por 17 anos no Educandário São Francisco.
Segundo ele, a situação no local está fora de controle. ?Quem manda aí dentro são os guris, e eles estão prometendo que vão matar funcionários. Se ninguém tomar providências urgentes, isso vai acontecer nas próximas horas?, denunciou.
SECJ: medidas
Giselle Ulbrich
?Os adolescentes envolvidos na crise do Educandário São Francisco serão responsabilizados pelo ato por meio de medidas disciplinares. Os com mais de 18 anos já foram transferidos e serão responsabilizados criminalmente como adultos, por tentativa de homicídio.
As lideranças do conflito estão sendo transferidas para outras unidades, visando a desarticulação do grupo?. É o que afirmou ontem a Secretaria de Estado da Criança e da Juventude (SECJ), adiantando outras medidas para reverter a crise do Cense. Até o restabelecimento da ordem, visitas familiares e outras atividades estão canceladas.




