Os serviços de inteligência da Polícia Civil – representados pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) – e da Polícia Militar vão trabalhar juntos em uma força-tarefa, com o intuito de combater a crescente onda de assaltos à estabelecimentos comerciais, principalmente postos de combustíveis, farmácias e casas lotéricas. Essa foi a decisão tomada ontem, em reunião realizada no quartel geral da Polícia Militar. Segundo o delegado do Cope, Marcus Michelotto, será dada uma resposta aos comerciantes que estão sofrendo com o constante assédio dos marginais.

Não foi dado à imprensa um número exato do efetivo de policiais civis e militares que será destinado a essa força tarefa.

Conforme o delegado Rubens Recalcatti, da Delegacia de Furtos e Roubos, o mais importante do trabalho será a troca de informações entre os serviços de inteligência, para um mapeamento das regiões e pontos mais visados pelos marginais. “Detectados os pontos críticos, poderemos atuar com mais objetividade”, afirmou. Para que os resultados esperados sejam alcançados há necessidade da participação da população e comerciantes realizando contatos regulares com a força policial. “Precisa haver cooperação dos comerciantes. Eles podem ajudar conhecendo e se relacionando com o policiamento que faz as rondas em sua região. Assim será feita a integração da população e polícia, que está sendo implantada através do Projeto Povo, do Governo do Estado”, destacou Michelotto.

Capital

O comandante do Policiamento da Capital da PM, coronel Nemésio de França Xavier, destacou que o telefone 190 é destinado para que a população passe informações aos policiais e que tais informações são de muita serventia para a corporação. “O trabalho de investigação consiste na coleta de informações junto às vítimas e monitoramento de ocorrências já registradas”, explicou o comandante.

Nesse contexto, o delegado Recalcatti, titular da DFR, criticou a atitude de alguns comerciantes que não registram queixas de assalto por não acreditar que os marginais serão presos. “Somente com o registro da ocorrência é que podemos investigar e combater o crime”, afirmou. A confiança na polícia deve existir para que o trabalho de investigação dê resultado.

Latrocínio

A morte do empresário Cláudio Pizzolato – proprietário do posto de combustível Chaparral – foi um dos fatos que impulsionou a criação dessa força-tarefa. Ele foi vítima de assaltantes na última segunda-feira, dentro do seu estabelecimento. Ao tentar defender a féria obtida no fim de semana, o empresário foi baleado e morto. A revolta pelo crime fez com que o Sindicombustíveis realizasse uma campanha para chamar a atenção da opinião pública e governo sobre a escalada da violência contra postos de combustíveis. Na quarta-feira era possível encontrar em diversos postos da capital faixas de protesto.

Sobre a morte de Cláudio, que está sendo investigada pela DFR, o delegado Recalcatti informou que está analisando uma fita de vídeo que pode ajudar nas investigações e identificação de suspeitos.

Comércio na mira dos ladrões

Os responsáveis pelo policiamento e combate ao crime em Curitiba concordam que, nos últimos meses, tem ocorrido crescimento no número de assaltos contra estabelecimentos comerciais e apontam o porquê. Segundo eles, houve uma migração dos marginais que praticavam outros delitos para o assalto ao comércio. Há algum tempo, os ladrões preferiam assaltar bancos, estações-tubo ou coletivos, onde havia grande circulação de dinheiro. Com a adoção de medidas de segurança nesses locais – como sistemas de vigilância em bancos e uso de vales-transporte no sistema coletivo, a circulação de dinheiro diminuiu. Agora os pontos comerciais com dinheiro são postos de combustíveis, farmácias e casas lotéricas. Por esse motivo são os mais visados. Os responsáveis pela grande maioria dos roubos são integrantes de gangues distintas, que atacam nos mais diversos bairros de Curitiba. Segundo dados da DFR, os assaltantes ocasionais representam apenas 30% desse tipo de ocorrência. O delegado Recalcatti relacionou os bairros com maior incidência de assaltos: Água Verde, Bacacheri, Uberaba, Cajuru, Cristo Rei e Sítio Cercado.

Para finalizar o coronel Xavier fez um alerta aos comerciantes, orientando que eles não permaneçam com altas quantias dentro de seus estabelecimentos, principalmente entre sexta-feira e segunda-feira. “Os valores devem ser depositados”, ressaltou.