Foto: Daniel Derevecki
Aufiero: ?A fiscalização nas festas
é praticamente impossível, até
pela natureza da droga?.

A associação entre raves e outras grandes festas com as drogas não é nova. Mas continua sendo perigosa. As substâncias mais consumidas nestes eventos são o LSD e o ecstasy, que podem provocar sérios danos no organismo. Antes longe dos olhos da maioria da população, esses eventos agora estão na mira da polícia e de órgãos que querem acabar com o tráfico e o consumo de drogas. Até mesmo os organizadores dessas festas passaram a tomar atitudes para coibir a prática ilegal.

As raves e festas eletrônicas realizadas em casas noturnas atraem jovens de classes média e alta. Traficantes encontraram um nicho de mercado mais rentável. Em média, um comprido de ecstasy, por exemplo, pode ser adquirido por R$ 50. O valor é bem mais alto do que uma pedra de crack (R$ 5). Enquanto tiver gente disposta a consumir, haverá gente disposta a vender. ?O consumo geralmente é intenso nessas raves e festas eletrônicas. Têm eventos com milhares de pessoas. A fiscalização nas festas é praticamente impossível, até pela natureza da droga. A segurança pode fazer a revista, mas é possível esconder facilmente um comprimido de ecstasy ou um microponto de LSD. Por isso a melhor forma de coibir é chegar na fonte e pegar os traficantes que abastecem estas raves?, comenta Cassiano Aufiero, do Núcleo de Repressão ao Tráfico de Drogas de Curitiba, órgão ligado à Divisão de Narcóricos (Dinarc).

Em março, foram presas 7 pessoas dentro da Operação Conexão Barcelona, promovida pela Polícia Civil. Todas eram moradoras de bairros nobres de Curitiba. Foram apreendidos 3 mil comprimidos de ecstasy e 3 mil micropontos de LSD, além de haxixe e cocaína. A quadrilha movimentava 2 mil comprimidos de ecstasy por mês. ?A prisão das pessoas vai inflacionar o mercado de venda dessas drogas. Temos que olhar agora para quem vai preencher este lugar. Enquanto houver usuário, haverá oportunista querendo aproveitar?, avalia Aufiero.

A situação chegou a um ponto que os próprios organizadores estão procurando alternativas para coibir a venda de drogas. ?Eles estão preocupados com a situação e estão dispostos a ajudar?, revela Aufiero. Empresários desse setor já se reuniram com o secretário municipal Antidrogas de Curitiba, Fernando Francischini, para estabelecer um trabalho em conjunto. Por meio de uma parceria, haverá a produção de um material gráfico educacional sobre os efeitos do LSD e do ecstasy; instalação de câmeras de segurança (no final destes eventos, as imagens serão enviadas pela secretaria e arquivadas); utilização de cães durante as fiscalizações; e uma rede de colaboração de informações. Outra medida é a infiltração de profissionais treinados nos banheiros, para que este local deixe de ser um ponto de venda e consumo de drogas, que normalmente fica sem vigilância. ?Antes, não havia fiscalização. Os donos de casas noturnas e organizadores ficavam de mãos amarradas. É uma situação complicada porque todo mundo se conhece nestas festas. Os organizadores estavam sendo associados a isto e, se não tomassem uma atitude, poderiam ser acusados de omissão?, esclarece Francischini.

Festivais acontecem na Grande Curitiba

Foto: Lucimar do Carmo
Francischini diz que secretaria está procurando interagir com outros municípios da Região Metropolitana.

Muitas raves e outras festas acontecem em chácaras e outros locais afastados na Região Metropolitana de Curitiba. A Secretaria Municipal Antidrogas de Curitiba, como só pode atuar nos limites da capital, está sendo procurada por prefeituras das cidades próximas. A intenção é estabelecer um serviço parecido nesses municípios.

Uma vigilância maior em Curitiba pode fazer com que essas festas migrem ainda mais para a Região Metropolitana. ?Já me encontrei com prefeitos de Colombo, Pinhais e Tijucas do Sul. Estamos procurando outros prefeitos também?, anuncia o secretário Fernando Francischini.

Ele explica que as informações obtidas pelo órgão são repassadas para as polícias Civil e Militar e ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organização (GAECO), ligado ao Ministério Público Estadual.

Para Francischini, não adianta proibir as festas eletrônicas.

No lugar dos grandes eventos, seriam criadas pequenas raves, o que dificultaria ainda mais o combate. (JC)