Átila Alberti
Manifestação começou em Quatro Barras e terminou na Boca Maldita.

Setenta dias depois que a pequena Giovanna dos Reis Costa, 9 anos, foi encontrada morta em Quatro Barras, mais um caso de violência contra criança choca a cidade. Ontem, uma garotinha de 5 anos ganhou alta do hospital depois de permanecer quatro dias internada. Ela foi seqüestrada de sua casa e violentada sexualmente por um maníaco, que continua à solta.

O crime aconteceu no último sábado, na região de Borda do Campo. Durante a tarde, um veículo Fox, vermelho, foi visto rondando as ruas de terra da região. Segundo informações que chegaram à polícia, o homem que conduzia o carro perguntou para várias crianças se elas estavam acompanhadas dos pais, até avistar a garotinha, que brincava no terreno de sua casa, situada numa rua sem saída.

O homem parou o veículo e a menina, ao ser questionada, disse que seus pais estavam na igreja. O maníaco então a ludibriou, pedindo para que ela o levasse até eles.

A menina, que estava apenas com a avó em casa, entrou no carro.

O criminoso teria levado a criança até o Morro do Anhangava, que fica a apenas 11 quilômetros do centro de Quatro Barras, e lá cometido o abuso sexual. Depois de algum tempo, o maníaco abandonou a garotinha perto da casa dela e fugiu. A menina foi encontrada bastante machucada, com lesões no ânus, e foi levada ao Hospital Pequeno Príncipe.

Investigações

O pai da menina registrou queixa no Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria). Apesar de o crime ter acontecido em Quatro Barras, as investigações deverão ser conduzidas pelo Nucria, que conta com trabalho especializado, como atendimento psicológico para ajudar as vítimas. Mesmo assim, policiais da delegacia do município investigam o caso.

Por enquanto não há detalhes sobre o crime, porque moradores da região e os pais da criança ainda não foram oficialmente ouvidos. Nos próximos dias, com a ajuda de psicólogos, a menina deverá fornecer mais detalhes sobre o criminoso. E amanhã, quatro moradores da região, que garantiram ter visto o criminoso, irão fornecer as características do suspeito pra confecção do retrato falado. A polícia conseguiu uma placa que está sendo investigada, mas não há pistas do paradeiro do maníaco.

Protesto por providências

Moradores de Quatro Barras, parentes e amigos dos pais de Giovanna dos Reis Costa, 9, tomaram as ruas do centro do município, na tarde de ontem, munidos de cartazes e faixas. Eles exigiram justiça e mais segurança para a cidade. Um ônibus os levou até a boca maldita, no centro de Curitiba, onde o protesto seguiu pela Rua das Flores.

Por volta das 13h30, cerca de 100 pessoas se reuniram em frente ao coreto de Quatro Barras. Depois de rezarem o Pai Nosso, a tia de Giovanna, Albani Costa, falou da dor da família e seu discurso tirou lágrimas de quem passava por ali. "Quando alguém morre de acidente ou doença, a família também sofre. Mas a nossa dor é diferente. Perdemos Giovanna num ato bruto, estúpido e animal. Nós vamos fazer justiça pela nossa criança, pois perdemos uma menina que poderia ser uma médica, uma advogada ou uma professora. Uma criança querida, feliz e alegre, que nunca fez mal a ninguém", disse a tia.

Os pais da menina, Altevir Costa, 39 anos, e Cristina Aparecida Costa, 31 acompanhavam o protesto junto de três dos seus quatro filhos. A mais velha não estava presente. O irmão de Giovanna, Lucas, de 11 anos, também segurava uma faixa. "Eu sinto dor. A gente sempre jantava junto e ia passear nos finais de semana. Agora ela não está mais aqui. Tenho muita saudade", disse ele.

Com a notícia de que outra menina foi violentada sexualmente na cidade, as mães disseram que nem mesmo o quintal da casa tornou-se um lugar seguro. "Nós queremos mais segurança, pois depois do que aconteceu com Giovanna trancamos nosso filhos no quintal. Com esse novo caso até ficar perto do portão de casa está perigoso", disseram algumas mulheres.

Investigações são reforçadas

Apesar dos esforços da delegada de Quatro Barras, Margaret Alferes Motta, para elucidar o assassinato de Giovanna, moradores a criticaram durante a manifestação ocorrida ontem. Entretanto, a família da menina conteve a indignação dos populares e agradeceu Margaret, enaltecendo seu esforço e lembrando que, além de ter interesse em elucidar o crime por ser moradora do município, a delegada também tem uma filha chamada Giovanna, de apenas nove anos.

Desde quando o corpo da menina foi achado, jogado em um matagal no Jardim Patrícia, no dia 12 de abril, a delegada e sua equipe seguiram várias linhas de investigações. A principal suspeita recai sobre a família Petrovich, uma vez que as roupas da menina foram encontradas ao lado da casa deles. Da casa deles, em Curitiba, foi recolhido um envelope com o nome completo de Giovanna. A família também saiu do município após o crime e Pero Pretrovich chegou a ser preso por uso de documento falso. Roupas e materiais dos suspeitos foram encaminhados à perícia. Porém, até agora, apesar dos indícios, não foram coletadas provas materiais que apontassem o envolvimento da família no crime.

A falta de efetivo e de condições para intensificar as investigações levou a delegada a pedir apoio. Todas as informações apuradas sobre o crime serão passadas ao Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), que na próxima semana deve assumir a investigação. "É um caso delicado, mas somei todos meus esforços para elucidá-lo. Porém, chegou a hora de pedir ajuda, pois o Sicride é uma delegacia especializada que possui material físico e profissionais bastante qualificados", disse Margaret.