Família de rapaz morto no ônibus de excursão pede justiça

?A bala que matou meu irmão, feriu todos nós. A cada dia morremos um pouco.? O desabafo é de Dinarte Ferreira dos Santos, 32 anos, irmão de Willian Thomas Castilho dos Santos, 23, chamado carinhosamente de ?Bile?, que morreu na noite de 15 de agosto, durante o assalto ao ônibus de excursão que seguia para São Paulo. Apesar dos esforços da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) são poucas as pistas que levam aos autores do crime.

O motivo é a omissão das testemunhas, que relutam em denunciar o que sabem à polícia. Naquela noite, três marginais invadiram o ônibus que tinha estacionado na BR-476, Bairro Alto, para apanhar os últimos passageiros. Os bandidos assassinaram o guia Valdir Farias Tomasi, 37 anos, e o motorista do outro ônibus que estava estacionado no memos local, Gílson do Carmo Moreira, 28.

Ao ver Faria cair morto do seu lado, ?Bile? ficou nervoso. Ele foi assassinado porque tremeu e não conseguiu tirar o dinheiro do bolso. Naquela noite ?Bile? viajava para trazer encomendas de São Paulo.

Ele havia saído do emprego como vendedor de carros há dois meses e trabalhava como vendedor informal, junto com os outros irmãos. Na semana anterior, os irmãos fizeram a mesma viagem, mas ?Bile? não quis ir junto, porque não tinha encomendas. Quando foi morto ele viajava sozinho.

Omissão

Apesar dos 45 passageiros que estavam no ônibus assaltado e dos que ocupavam o outro coletivo estacionado no mesmo lugar, foram poucas as informações passadas à polícia.

?Faço um apelo para que me ajudem e passem informações, pois apenas a Justiça poderá amenizar minha dor. Essa tragédia poderia ter acontecido com a família de qualquer um, por isso peço para que, quem saiba quem matou meu filho e os outros dois inocentes denuncie. Qualquer detalhe pode ajudar muito?, disse a mãe, Sueli Catarina dos Santos, 53 anos, com as lágrimas nos olhos. Qualquer informação que ajude nas investigações pode ser passada a Delegacia de Furtos e Roubos pelo telefone 3262-2800.

Sofrimento sem fim

Átila Alberti
Família faz questão de lembrar do caçula.

?Bile? era o caçula dos cinco filhos de Sueli, que depois do crime disse ter perdido a vontade de viver. Não foi só ela. Toda a família desmoronou. O pai de ?Bile? foi passar um tempo na praia. Os nove sobrinhos choram a todo o momento e os irmãos, a namorada e cunhados não cansam de usar a camiseta com a foto do jovem.

Esta semana, Dinarte tatuou o nome do irmão no braço e disse que ainda pretende gravar o rosto dele no corpo. Todos os dias, a família vai ao cemitério. ?Minha vontade é ficar com ele. Só quem passa por isso sabe a dor que é perder um irmão?, disse Dinarte. Para matar a saudade, a família assiste ao vídeo que mostra ?Bile? tocando com seu grupo de pagode. ?Meu irmão era só alegria. Brincava com todo mundo, era uma garoto amado, muito querido. No velório dele tinha gente até as 4h da manhã e, na missa de sétimo dia, a igreja lotou?, disse o irmão.

?Esse bandido deve ser muito doente. O brilho do meu filho deve ter feito mal para ele. Só que um dia ele também vai sofrer. Hoje sei que meu filho foi um anjo que passou pela minha vida e que vai deixar mais que saudades, vai deixar um buraco em nossas vidas para sempre?, finalizou a mãe, que dividia o beliche com ?Bile?, e dormia esticando a mão para receber os carinhos do filho.

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