Foto: Alberto Melnechuky

Bruno foi baleado e jogado no barranco.

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O misterioso sumiço do estudante Bruno Strobel Coelho Santos, o ?Strobel?, 18 anos (filho do jornalista e cronista esportivo Vinícius Coelho), que já durava uma semana, terminou na noite de ontem, com a identificação do corpo dele no Instituto Médico-Legal. O rapaz foi seqüestrado, amordaçado e assassinado com um tiro na cabeça. O cadáver foi encontrado às 18h20 de segunda-feira, já em decomposição, no matagal de uma estrada de chão, na região de Tranqueira, em Almirante Tamandaré.

O estudante não portava documentos e somente foi identificado, pelos familiares, cerca de 24 horas depois. Os motivos do assassinato ainda são desconhecidos e começam a ser investigados.

O pai de Bruno disse que ele estava concluindo o ensino fundamental e se preparava para prestar vestibular para Design. O que o jovem mais gostava de fazer era assistir aos jogos do Coritiba junto com o irmão Gabriel, de 16 anos.

Sumiço

O desaparecimento do estudante ocorreu na terça-feira da semana passada e foi registrado pela família, na Delegacia de Vigilância e Capturas (DVC), na quinta-feira. Coelho contou que, naquela noite, o jovem foi até a sede da torcida Império Alviverde, no Alto da Glória, para assistir, em um telão, à partida entre o Coxa e o Fortaleza.

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O caso era investigado pela delegada Suzelly Braz, da DVC, que apurou que o rapaz permaneceu por pouco tempo assistindo ao jogo e, depois, foi, com amigos, ao bar A Gata Comeu, que fica nas imediações do estádio, na Rua Ubaldino do Amaral. Os amigos de Bruno foram embora e ele permaneceu no estabelecimento, em companhia de outras pessoas.

O mistério do desaparecimento do jovem está no trajeto dele do bar até sua casa,que ele insistiu em percorrer a pé. O pai disse que o jovem dormia na casa de amigos de vez em quando, mas sempre telefonava avisando onde estava. A família começou a se preocupar no dia seguinte, porque, além de Bruno não ter avisado seu paradeiro, nunca ficava tanto tempo fora de casa.

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Caso Ana Cláudia não terminou

Valéria Biembengut

A morte de Bruno remete ao caso de Ana Cláudia Caron, também seqüestrada no centro e levada até Almirante Tamandaré, onde foi encontrada morta com um tiro na boca e carbonizada. Dois jovens, de 15 e 18 anos, acusados do crime foram condenados a três anos em um educandário, porém os advogados prometem recorrer, até o dia 19.

?Vamos recorrer porque a sentença foi injusta. Meu cliente só participou do roubo?, explicou o advogado Luiz Cláudio Falarz, que defende o garoto de 15 anos. O outro advogado, Benjamin Pedro Zonato, não foi encontrado.

Os garotos foram condenados, na tarde de segunda-feira, por latrocínio, abuso sexual e ocultação de cadáver. A medida socioeducativa prevê avaliação de seis em seis meses. Isso quer dizer que os adolescentes podem ser colocados em liberdade antes do término da pena. A internação de três anos é a pena máxima prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Latrocínio

Ana Cláudia estacionava o carro na Rua Paula Gomes, centro, quando foi seqüestrada pelos garotos, em 21 de agosto. Ela foi levada para um matagal, onde foi estuprada, morta com um tiro na boca e depois teve o corpo queimado. No dia do crime, o adolescente que hoje tem 18 anos ainda era menor, por isso responde pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.