Seqüestrada no começo da noite de terça-feira, no centro de Curitiba, a estudante de Educação Física Ana Cláudia Caron, 18 anos, foi encontrada carbonizada, na manhã de ontem, em Almirante Tamandaré. Morta por asfixia e com um tiro de pistola na boca, a jovem estava nua, caída em um matagal próximo à Rua Santos Dumont, no Jardim Marrocos.
O local é exatamente o mesmo, onde, em 15 de junho, foi achado o corpo de Vanessa da Silva, asfixiada com uma blusa.
Os principais suspeitos do brutal assassinato são dois rapazes que foram vistos abordando o carro de Ana, o Palio azul placa AKI-5603, por volta das 19h de terça-feira.
A jovem chegava a uma academia de artes marciais, onde treina seu namorado, na Rua Paula Gomes, próximo ao Shopping Mueller. Após entrar no Palio, os indivíduos fugiram e foram flagrados, minutos depois, por um radar eletrônico quando passavam nas proximidades da Ópera de Arame, São Lourenço.
Sumiço
Depois disso, nenhuma pista sobre o paradeiro da estudante foi obtida. Apenas na noite de quarta-feira. Na manhã de ontem, um morador da região localizou o corpo e chamou a polícia. O carro não foi encontrado. ?Essa pessoa disse ter visto um Palio azul parado na Santos Dumont no início da noite de quarta-feira. Também relatou que viu alguém jogando um embrulho no mato?, contou o capitão Kister, do 17.º Batalhão da Polícia Militar. Ainda durante a noite, moradores viram fogo ser ateado no matagal.
Asfixia
De acordo com a perita Jussara, do Instituto de Criminalística, Ana foi morta por asfixia e com um tiro na boca. ?Ela estava com um saco de lixo na cabeça. Provavelmente foi estrangulada?, analisou. Além disso, os exames irão confirmar se a estudante foi ou não estuprada. ?Há suspeita de que houve violência sexual. Os focos de carbonização estão concentrados na cabeça e nos órgãos genitais da vítima?, explicou Jussara. A hora do assassinato não pôde ser constatado pela perícia no local do crime.
O secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, determinou a criação de uma força-tarefa. ?Vamos trabalhar com o máximo de rigor?, garantiu o delegado Riad Farhat, delegado-chefe do Tigre (Tático Integrado de Grupos de Repressão Especiais), que coordena a força-tarefa. A vítima é parente de um delegado e de um investigador da Polícia Civil.
?Cemitério? de mulheres
Patricia Cavallari
Com Ana Cláudia, somente este ano, seis mulheres foram encontradas mortas em Almirante Tamandaré. Entre 1999 e 2002, 21 mulheres foram assassinadas em série no município. Dezessete crimes foram atribuídos a uma quadrilha de extermínio, que foi desmantelada. Depois de quatro anos presos, 14 acusados foram soltos no final do ano passado. A falta de policiamento pode ser motivo da escolha do município como local ideal para os crimes e desova de corpos.
Na madrugada de 11 deste mês, Sônia Regina da Silva Flores de Souza, 42 anos, desapareceu ao sair de um bailão, na Rodovia dos Minérios. Ela foi achada no último domingo, boiando no córrego Barigüi, em Tranqueira.
Em 15 de junho, Vanessa da Silva, 23 anos, foi encontrada morta no mesmo local onde estava o corpo de Ana Cláudia. Vanessa foi enforcada com a manga da jaqueta que usava e também só foi achada depois de três dias de seu sumiço.
No mês anterior, a vítima foi Pâmela Aparecida Almeida Proença, de 17 anos, moradora no Pilarzinho. Seu corpo foi achado em um matagal da zona rural. Ela foi esfaqueada no pescoço e ?desovada? na região de São Sebastião, próximo à Estrada do Marmeleiro.
Em abril, Juliana França foi jogada, enrolada em um lençol, dentro do Rio Barigüi – mesmo córrego onde Sônia foi encontrada – no quilômetro 5 da Rodovia dos Minérios. Juliana foi enforcada. No mesmo mês, outra mulher foi estrangulada e seu corpo foi achado dentro de uma valeta no Cachoeira. Em nenhum desses casos foi montada força-tarefa e as investigações engatinham.


