Aliocha Maurício
Arlete Caramês: ?esse dia pesa?.

Quem nunca viu em cartaz, atrás do canhoto de pedágio ou em alguma embalagem, os rostos dessas crianças paranaenses. Como Guilherme Caramês Tiburtius, que tinha oito anos quando sumiu. Na manhã em que desapareceu, dia 17 de junho de 1991, ele andava de bicicleta perto de casa.

?Esse dia pesa. Desde que ele desapareceu, já apareceram seis ou sete esperanças de reencontro, mas nenhuma era ele?, afirma Arlete, mãe do Guilherme. ?Aos pais que têm suas crianças, hoje eu recomendo que as amem e dêem muito carinho.

Aos que as perderam eu digo que nunca percam a esperança, que não desistam?, deseja ela.

Outras fotos também aparecem nos cartazes dos desaparecidos. Na década de 80 foram muitos. Ewerton de Lima Gonçalves desapareceu aos quatro anos de idade, em dezembro de 1988.

Ele brincava em frente de casa e a mãe entrou para atender outro filho pequeno, mas ao voltar não encontrou mais Ewerton. Já Rodrigo Novicki de Oliveira desapareceu na véspera do Dia das Crianças, mas em 1987. Ele tinha um ano e oito meses e foi levado quando brincava no jardim da casa da madrinha.

José Carlos dos Santos, quando tinha 11 anos, em março de 1992, saiu de casa, em Maringá, para vender limão e nunca mais foi visto. Edson Rodrigo Batista da Silva estava com os pais na exposição agropecuária de Londrina, também em 1992, quando desapareceu, aos seis anos. No mesmo ano, 92, também sumiu Leandro Bossi, de oito anos, no caminho entre o trabalho da mãe e a casa, em Guaratuba. Ainda em 1992, desapareceu Gislaine Ferreira, aos seis anos, em Colombo.

Tristes anos

Das 26 crianças ainda não encontradas, pelo menos 22 sumiram entre os anos 1990 e 2005. Além de Guilherme, de 1991, e as seis crianças de 1992, em Roncador, centro-este do estado, em 1990, desapareceu Leandro Correia, quando tinha três anos. Enquanto quebrava milho, a mãe deixou ele no berço, a 50 metros, dez minutos depois ele já não estava. Em Iporã, Norte do Paraná, Letícia Mendes de Oliveira desapareceu, em agosto de 1995, quando tinha três anos. O pai a deixou no pasto para pegar um cavalo que fugiu e quando voltou a filha não estava mais.

Ainda estão entre as crianças desaparecidas nesse período, Everton Vidal Ficagna, de 14 anos, que sumiu em 1994, em Corbélia, entre a casa e o futebol; Kelly Cristina da Silva, de seis anos, em 1997, que desapareceu ao seguir um desconhecido ao circo; no mesmo ano foi Osnei Ranea, de 12 anos; e, em 1999, Juliano Ferreira do Nascimento, de 12 anos, que saiu de casa para visitar a avó, mas nunca mais foi encontrado.

Nos últimos seis anos, desapareceram Cristiano José Guido, de 14 anos, em 2000; Ana Cláudia Manoel, de 14 anos, e Leonardo de Mello e Silva, em 2001; Lucas Fernandes Monteiro, de seis anos, em 2002; Ana Paula Padilha, de oito anos, Vanessa Noss, 12 anos, Alex da Silva Botzan, nove anos, Cláudio da Silva Botzan, dez anos, Luana de Oliveira Lopes, de cinco anos, em 2003; e, desde março de 2005, ainda não foi encontrada Vivian Florêncio, de quatro anos. Ela saiu com a mãe, que foi encontrada morta.