Dois mortos e quatro feridos em bar de Piraquara

Sem medo de serem reconhecidos, dois homens, ocupando uma moto Biz e exibindo pistolas, passaram em frente a um bar de Piraquara e descarregaram as armas.

O atentado aconteceu às 18h de sábado, na Rua Juri Dalilenco, na Vila Mariana. Quatro pessoas foram feridas – entre elas uma criança – e dois deles, Lindson da Silva Machado, 20 anos, e Vanderlei Gonçalves, 19, morreram no local.

Ainda era dia e o bar estava cheio. Os freqüentadores conversavam e bebiam animadamente, quando surgiu a motoneta e seus ocupantes atiraram em direção ao bar, provocando um grande tumulto. Aterrorizadas, as pessoas só pensavam em se proteger, atirando-se no chão ou escondendo-se atrás de mesas e cadeira. O drama durou alguns minutos. Após os tiros os autores sumiram, sem ser identificados. Em seguida, os freqüentadores do bar perceberam que os dois rapazes estavam mortos.

Uma criança e uma outra pessoa (ambos sem identificação) foram socorridos e levados ao hospital por populares, segundo testemunhas.

Familiares de Lindson, revoltados com a morte do rapaz, falaram que o jovem trabalhava como instalador de ar-condicionado e gostava de se encontrar com amigos em bares da região. Eles estavam indignados com a falta de segurança e de policiamento no bairro. Prometeram fazer um protesto ainda esta semana, exigindo que o governo coloque mais policiamento para conter a violência.

Investigações

A revolta dos parentes dos mortos tinha razão de ser.

A delegacia de Piraquara está com falta de efetivo e, na noite de sábado, contava com apenas um plantonista, cuja função era cuidar dos presos. Sendo assim, nenhum policial civil esteve no local do crime para colher informações e dar início às investigações. O trabalho investigativo possivelmente só se iniciará hoje, dando margem e tempo suficiente para os assassinos desaparecerem.

Para atender todo o município, que tem 73 mil habitantes (segundo último censo do IBGE, realizado em 2000), e que conta com bairros violentos como Jardim Holandês e Guarituba, a delegacia possui um delegado, um superintendente, dois escrivães e cinco investigadores, que se revezam para cuidar dos dez presos recolhidos no xadrez e realizar trabalhos burocráticos, além de registrar os boletins de ocorrência. A delegacia não conta com equipe de investigação, o que aumenta as chances deste duplo assassinato vir a fazer parte do rol dos crimes insolúveis.

Ontem, o único policial que estava na delegacia tinha tomado conhecimento do atentado, sendo informado que ocorreram duas mortes. Quanto aos feridos não tinha informação, uma vez que nenhum hospital fez contato para comunicar o fato.

A Polícia Militar esteve no local, não apurou muitas informações sobre o episódio, já que tem o dever de preservar o local do crime, para ser examinado pelo perito do Instituto de Criminalística e não lhe cabe iniciar investigações.

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