Dos 11 latrocínios (roubos com mortes) ocorridos em Curitiba nos seis primeiros meses do ano, três já foram elucidados e cinco continuam sendo investigados pela Delegacia de Furtos e Roubos (DFR), responsável pela apuração da autoria deste tipo de delito. Os outros estão a cargo das demais delegacias. A informação foi colhida ontem, no cartório da própria especializada. Além destes casos, outros 12 assaltos seguidos de assassinatos foram registrados na Região Metropolitoana, no primeiro semestre deste ano. Os números indicam que os ladrões estão cada vez mais violentos e agressivos.

O inquérito que apura a morte do comerciante Jorge Felicetti, 41 anos, morto por ladrões no último dia 25 de junho, foi solicitado pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC), de acordo com relatório da DFR. O local de trabalho do comerciante, no Sítio Cercado, foi invadido por marginais, que levaram todo o dinheiro que a vítima guardava, além de uma pistola e um aparelho de telefone celular. Felicetti comprava carros batidos, consertava e revendia. No dia anterior ao crime havia fechado um negócio de R$ 5 mil em dinheiro. Por enquanto, a autoria deste crime ainda não foi descoberta.

Office-boy

O latrocínio do office-boy Rodrigo Henrique Furtuoso, 19 anos, morto durante um assalto no dia 30 de abril, no Cabral, já foi esclarecido. O jovem retornava para Associação de Paranaense de Reabilitação (APR), na Rua dos Funcionários, quando foi abordado e teve sua pasta contendo documentos e cheques levadas. O rapaz teria reagido ao roubo e foi baleado. Ele ainda chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Cajuru, onde morreu no dia 2 de maio. Dez dias depois, a Delegacia de Furtos e Roubos, prendeu e apresentou a quadrilha acusada de envolvimento no caso. Foram para trás das grades Wilson Faria da Silveira, 23 anos; Gleberson Castro Silva, 25; Lourimar Clayton dos Santos, 25; Fabiano Areu Antunes, 22, e Marcelo Machado Maximiliano, o “Dunga”, 26. Eles também foram apontados como autores de outros crimes.

Outros

O roubo seguido de morte, que vitimou o comerciante de Joaquim Campos, 50 anos, morto à tiros, também foi elucidado pela DFR. O autor dos disparos é um menor. O crime ocorreu no dia 27 de abril, no mercadinho do comerciante, no Xapinhal. Outro caso desvendado foi o da empresária Taciana Ábila, 27 anos, morta a tiros no Bacacheri, no dia 15 de janeiro. A quadrilha foi desmantelada pela DFR em trabalho conjunto com o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope).

Investigados

A morte do cobrador de ônibus José Piechotta, 38 anos, executado a tiros no dia 26 de abril, durante um assalto, dentro do coletivo, na Vila Verde, Cidade Industrial, porque só tinha R$ 10,00 na caixa coletora, ainda não elucidado. De acordo com informações da DFR, o inquérito n.º 125/2003 ainda está em andamento e a equipe de investigações encontra dificuldades, já que testemunhas se negam a reconhecer o autor, pois temem pela própria vida.

Outro caso em investigação é do aposentado Valdo Antônio Cassol, 68 anos, morto a ripadas dentro de sua residência, na Vila Campo Alegre, Cidade Industrial. O autor levou R$ 12 mil e um televisor. O corpo do aposentado, que morava sozinho, foi encontrado embaixo de uma pilha de madeira e objetos revirados, em adiantado estado de decomposição, no dia 27 de abril.

O delegado Eduardo Marcelo Castela, responsável pelo caso, disse que a polícia já tem o nome de um suspeito e continua trabalhando na elucidação do latrocínio.

Também está na DFR, o inquérito n.º 777/2003, que apura o roubo seguido de morte, que vitimou o vendedor Cláudio Gonçalves de Oliveira, 36 anos. O crime ocorreu no dia 19 de fevereiro, em uma barraquinha de cachorro quente, na Cidade Industrial. O motivo: R$ 60,00.

Mais casos

O delegado Gerson Machado, titular da Delegacia de Furtos e Roubos, informou que sete crimes de latrocínio estão sendo ou foram investigados este ano pela especializada.

Ele disse que cinco dos casos citados pela Tribuna (em matéria publicada na edição de ontem) não estão sendo investigados pela Furtos e Roubos. São eles: o do bancário Luís Carlos Ferreira, 37 anos (morto no dia 27 de fevereiro, por causa de um cartão de banco e dinheiro para comprar cigarros); do aposentado Wilson Sorerzoski, 60 anos (morto por ladrões em 22 de março, sendo o motivo a carteira com documentos e dinheiro); do representante comercial João Carlos Prestes, 37 anos (morto em fevereiro por causa de um Fiat Uno, um computador, um fax e um televisor); do entregador de pães Vicente José Rimizoxski, 43 anos morto a tiros em 17 de fevereiro, após um seqüestro relâmpago para arrecadar dinheiro em caixas eletrônicos; e do auxiliar de serviços gerais, Divonsir Alves de Lima, 44 anos, morto a tiros em 2 de janeiro por causa de R$ 3.700,00.

Machado acredita que estes casos já podem ter sido elucidados na época ou ainda estão na Delegacia de Homicídios. “Quando o autor é preso ou identificado, o caso vai para o distrito”, salientou. “Pode ser que alguns ainda venham para nós”, completou o policial.

SESP explica números

Recebemos da Secretaria de Segurança Pública a seguinte explicação:

“Dois jornais de Curitiba divulgaram ontem um balanço próprio sobre o número de latrocínios ocorridos em Curitiba e Região Metropolitana no primeiro semestre de 2003. As divergências entre os dados da Secretaria da Segurança Pública e dos dois jornais da capital são explicadas a partir de um procedimento interno da Polícia Civil. Os números divulgados, de forma transparente e cristalina pela Secretaria, são o resultado de um trabalho desenvolvido pelo Grupo Auxiliar de Planejamento da Polícia Civil, que coleta relatórios mensais de todas as delegacias de Polícia do Estado para fechar as estatísticas de crimes ocorridos no Paraná.

Tais relatórios são “fechados” pelos delegados responsáveis por seus distritos ou especializadas, na grande maioria das vezes, durante o processo investigatório. São os delegados que apontam a tipificação de cada crime para o Grupo Auxiliar de Planejamento da Polícia Civil. Nesse sentido, os crimes e delitos são definidos conforme cada situação por critério dos delegados. Corpos encontrados após o crime podem ser qualificados, por exemplo, como “morte suspeita”, em virtude de ainda estar sob investigação policial.

A maioria dos crimes qualificados como latronício por esses dois jornais foram capitalizados, inicialmente, pelo Grupo Auxiliar de Planejamento da Polícia Civil como homicídio doloso. Somente após o processo investigatório, muitas vezes demorado, na Central de Inquéritos é que o crime foi tipificado como latrocínio.

Ainda assim, os números continuam demonstrando que não houve um crescimento dos índices de criminalidade em 2003 em relação ao ano passado. Ao contrário. Se retirar uma dezena de homicídio doloso e classificá-la como latrocínio, o índice do segundo permanece inalterado e o do primeiro reduz ainda mais.

É importante frisar que os dados fornecidos pela Secretaria da Segurança Pública na semana passada referem-se somente aos primeiros cinco meses do ano, excluindo-se então o balanço do mês de junho.

Ao divulgar seus dados oficiais, a Secretaria da Segurança Pública jamais pretendeu maquiar os reais problemas, afeitos a esta pasta, que o Estado vive neste novo milênio. Desde que assumiu, em 22 de maio, o cargo, o secretário Luiz Fernando Delazari tem consciência do enorme desafio que está enfrentando e, por isso, tornou público os números da criminalidade no Paraná. O objetivo dessa administração foi demonstrar trasparência e credibilidade à população paranaense. É notório que a situação da segurança pública no Estado ainda é grave, mas também é verdade que se tem desenvolvido um trabalho sério e duro de combate à criminalidade pela atual gestão”.