Esquema ilegal de uso de números de CNPJ levou Sandro de Paula Vicente, 34 anos, à prisão em flagrante, ontem. Porém a polícia descobriu que o ele usava os números para adquirir linhas telefônicas, não pagava as contas e deixava os donos dos CNPJ com nomes sujos no mercado. Sandro fornecia as linhas para um esquema fraudulento de provedores de internet.

Na primeira fase do golpe, segundo a polícia, por R$ 200,00, Sandro comprava os CNPJs de um dos dirigentes da Federação Comunitária das Associações de Moradores de Curitiba e Região Metropolitana (Femoclam).

Com os números, conseguia adquirir linhas junto às empresas de telefonia. Ele utilizava os telefones com conexões de internet e não pagava as contas. Com isso, as linhas eram cortadas e ele continuava a comprar outros CNPJs, para adquirir outros telefones e continuar com a atividade.

Vítimas

Nos locais onde Sandro mandou instalar as linhas, a polícia encontrou contas nos nomes das empresas: Associação dos Moradores da Vila Sete de Setembro, Auto Posto Lua Cheia, CSI Gestão de Riscos Ltda., Umulic – União de Mulheres Líderes Comunitárias, Associação de Moradores do Atuba, APNFERG, Igreja Evangélica Obras Missionárias, Élio Lima Lemes, Acovir, Associação Beneficente dos Idosos Carentes, Jovar Elektro Móveis, Auto Mecânica Itupava Ltda., EC Factoring  Ltda. e Associação de Moradores da Vila Dona Dantas.

Só em nome da Associação dos Moradores da Vila Sete de Setembro, na CIC, as contas de telefone somam R$ 12.830,00, referentes a 29 linhas adquiridas ilegalmente em seu nome. E foi a queixa desta associação na delegacia que levou a polícia a descobrir o esquema fraudulento.

Aluguel

Na segunda parte do golpe, Sandro alugava as linhas para empresas provedoras de internet. Pelo serviço, ele cobrava, de cada uma delas, entre R$ 0,37 a R$ 0,40 a hora utilizada de internet.

Isso, conforme explicou o delegado Gerson Machado, do 11.º Distrito Policial (Cidade Industrial), rendia a Sandro entre R$ 60,00 e R$ 70,00 ao final do mês, de cada provedora.

Até o final da tarde de ontem, a polícia recolheu 67 computadores em dois endereços, na Rua Visconde do Rio Branco, no centro, e na Rua Delegado Leopoldo Belczak, no Capão da Imbuia. Nesses locais, os computadores estavam ligados às linhas telefônicas adquiridas de forma fraudulenta e às provedoras de internet.

A polícia ainda não sabe se as provedoras eram vítimas, ou se também estavam envolvidas no esquema. Mas já tem certeza que funcionários da empresa de telefonia, que fornecia as linhas telefônicas, colaboravam com o golpe. Além destes funcionários, também deve ser indiciado o integrante da Femoclam, que vendia os CNPJs a Sandro.