Apesar dos exames da perícia, é a partir de testemunhas que o delegado Jairo Amodio Estorilio pretende elucidar a polêmica morte do pedreiro Edson Elias dos Santos, assassinado a tiros, em suposto confronto com policiais militares, na madrugada de sábado.

Na manhã de ontem, os seis policiais militares envolvidos foram ouvidos e contaram a mesma versão. ?Eles disseram que foram atender a ocorrência de furto de veículos e viram três indivíduos ?mixando? um carro. Ao abordá-los, dois foram detidos e Edson fugiu, atirando contra eles?, relatou o delegado.

Segundo os PMs, Edson corria e atirava para trás, o que justificaria os seis tiros nas costas que ele recebeu no revide. Entretanto, o pedreiro também foi ferido com dois tiros na barriga. ?Vou solicitar perícia para saber em que condições ele foi baleado?, disse Jairo.

Com o depoimento dos PMs e dos comparsas de Edson, que garantiram que o pedreiro estava armado, o delegado acredita que houve realmente troca de tiros. Outra forma de solucionar o impasse seria o exame de vestígios de chumbo nas mãos da vítima, o que não poderá ser mais feito, uma vez que ela já foi enterrada. O delegado acrescentou que, ao interrogar os comparsas de Edson, verificou que eles estavam com lesões no corpo. Segundo os jovens, eles foram agredidos pela PMs.

Família em agonia

A família de Edson sofre com a angústia da dúvida do que realmente aconteceu naquela noite. Segundo a mãe dele, Iraíde Aparecida, o pedreiro foi vítima da truculência da PM. ?Ele não tinha antecedente criminais, era pai de família, trabalhador e um ótimo filho. Por que os policiais deram tantos tiros? Por que essa arma só apareceu agora??, pergunta. ?Sei que as pessoas vão esquecer disso e ninguém será punido. Sempre ensinei o correto para meu filho e agora ele é morto como um cachorro. Não tenho dinheiro, mas espero que a justiça seja feita, nem que seja a justiça divina?, finaliza.