Acusados de peculato, o delegado da Polícia Federal Wilson Alfredo Perpétuo e o empresário Erminio Gatti – proprietário do Hotel Carimã, em Foz do Iguaçu (PR) – foram absolvidos ontem, pelo do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, em Porto Alegre (RS), por onde corria o processo. Em sessão que durou duas horas, com defesa sustentada oralmente pelo advogado Osmann de Oliveira, o juiz Elcio Cassio anunciou a sentença, comemorada pelos dois réus. “Não havia nenhuma prova contra eles”, comentou Oliveira.

A denúncia contra Perpétuo e Gatti foi feita há 10 anos, quando o delegado exercia suas atividades em Foz do Iguaçu. Funcionários da delegacia teriam informado ao Ministério Público que o delegado estava trocando caixas de uisque apreendidas em operações policiais por comida que era fornecida aos presos pelo empresário. “Isso nunca foi verdade. Mas nos processaram sem qualquer chance de defesa”, afirmou Perpétuo.

De acordo com o delegado, naquela época haviam cerca de 50 presos na carceragem da Polícia Federal de Foz e o governo federal cancelou a verba destinada à alimentação dos presos. Como não poderia deixar os detentos passando fome, ele pediu ajuda ao empresariado local e Gatti se dispôs a fornecer as refeições para os detidos, sem nada cobrar. “Durante quatro meses ele mandou comida para todos que estavam na cadeia”, lembra o delegado. Posteriormente, para retribuir a gentileza de Gatti, Perpétuo lhe presenteou com algumas garrafas de uisque que tinha em casa. “Naquela região a gente ganha muito uisque de presente e como eu tinha diversas garrafas em casa, dei-as para Gatti e foi tudo o que aconteceu. Por causa disso passamos dez anos respondendo a um processo que agora felizmente se encerra com a nossa absolvição”, finalizou o policial, que depois de sair de Foz foi secretário de Segurança em Alagoas e atualmente está lotado em Ribeirão Preto (SP).