A Promotoria de Investigação Criminal (PIC) protocolou ontem nova denúncia contra a delegada Rosalice Carriel Benetti e o investigador de polícia José Dias de Almeida, por concussão – exigência de vantagem indevida no exercício da função -, devido a fato ocorrido quando ambos atuavam na Delegacia de Antitóxicos de Curitiba, como delegada e superintendente, respectivamente.

De acordo com a denúncia, em 2 de setembro de 2002, o estudante João Albari de Barros Júnior foi preso com oito pacotes de LSD. Na delegacia, o superintendente teria exigido do advogado da família de Barros Júnior R$ 30 mil para liberar o estudante, sem que fosse lavrado o auto de flagrante. Como o advogado ofereceu R$ 3 mil, Dias teria consultado a delegada, após o que teria dito que com esse valor não tirariam do inquérito sequer a menção de que havia sido apreendida com o estudante uma balança para pesagem de droga. O estudante continua preso até hoje, acusado de tráfico de drogas.

Essa é a terceira denúncia protocolada pela PIC contra a delegada e o investigador. A primeira foi em 10 de março, quando eles foram denunciados por abuso de autoridade e concussão. A segunda, por tortura, foi protocolada em 19 de março.

A PIC estuda medidas legais que possam resultar no afastamento dos dois policiais da função, já que ambos continuam na ativa: ela na Delegacia de Homicídios e ele na delegacia de Rio Negro.

Quadrilha milionária

Na terça-feira, a PIC protocolou denúncia contra a quadrilha conhecida como “quadrilha milionária”, composta por Douglas de Araújo, Caio José Cardoso Furtado, Jeferson Andrade da Silva, William Fernandes Diniz e Nelson Luís Souza Guidolin Júnior. Eles foram denunciados por formação de quadrilha e roubo, a partir de fatos ocorridos entre novembro de 2002 e março deste ano.

O grupo agia de forma semelhante em diversas ações realizadas em Curitiba e Região Metropolitana: alguns dos integrantes observavam clientes de bancos que sacavam grandes valores nas agências e avisavam os demais membros do grupo. Eles seguiam os clientes com motos e automóveis potentes, como BMWs, veículos que foram apreendidos em março, após a prisão da quadrilha. Os integrantes do grupo estão recolhidos no Cope e foram reconhecidos por várias vítimas.

Armados, eles abordavam os cidadãos e roubavam o dinheiro sacado. Algumas operações resultaram em ferimentos de vítimas e até em morte, como ocorreu com uma jovem de 27 anos, gerente de uma empresa de brinquedos, abordada em 15 de janeiro, no bairro Bacacheri, em Curitiba. Nessa ocasião, foram roubados R$ 100 mil. A moça foi baleada e morreu no hospital, no mesmo dia. Com o grupo também foram apreendidas armas de fogo, como revólveres e pistolas calibres 380 e Ponto 40.

A denúncia relata seis casos de roubo, o último ocorrido em 14 de março, investigados em inquéritos feitos pelo Cope, com o acompanhamento da PIC. Existem ainda na Promotoria de Investigação Criminal outros doze inquéritos contra a quadrilha, aguardando oferecimento de denúncia. Alguns dos integrantes já tinham antecedentes criminais e até condenações por tráfico de drogas no estado de São Paulo.