Delegacia de Cambará é exemplo de atendimento

Enquanto a maioria das delegacias de polícia do Paraná enfrenta problemas como superlotação e má conservação de sua estrutura física, a delegacia de Cambará, Norte Pioneiro, é exemplo de administração e de credibilidade junto à comunidade. O delegado responsável por ela é Rogério Antônio Lopes, que está lotado na delegacia há um ano e meio. Ele explicou que o grande diferencial que vem fazendo com que a delegacia funcione melhor é o respeito.

Aliás, Lopes fez questão de ressaltar a diferença entre delegacia e cadeia. “Cadeia é o lugar onde são alojados os presos que aguardam julgamento. Delegacia é um órgão administrativo. Não podemos misturar as coisas. A boa separação dos dois setores é importante para que as pessoas que freqüentam uma delegacia se sintam respeitadas”, apontou o delegado, ressaltando que mais de 90% das pessoas que vão a uma delegacia são pessoas de bem.

Lopes está fazendo uma tese de mestrado sobre os direitos humanos e a atuação da polícia. Ele acredita que é plenamente compatível a ação policial e o respeito aos cidadãos. Para justificar isso, ele argumentou que até os próprios detentos ficam mais tranqüilos, quando tratados com respeito. Em Cambará, por exemplo, a capacidade da cadeia é para trinta detentos. O delegado afirmou que em momento algum esse número foi superado. Em conseqüência, no período em que Lopes está à frente da delegacia nunca aconteceram rebeliões. “Devemos e podemos agir no rigor da lei, mas sem ferir os direitos humanos”, explicou.

Parte física

Lopes reconheceu que para uma delegacia funcionar bem é necessária uma estrutura física condizente. Em Cambará, foram investidos R$ 30 mil provenientes de doações da comunidade. “Minha sala era do lado da cozinha, então a pessoa entrava aqui e sentia o cheiro da comida e do café. Isso não pode acontecer. A estrutura também é importante para que a pessoa que vem à delegacia se sinta bem. Quando o trabalho da policia começa a aparecer, a comunidade percebe que pode confiar e acaba ajudando”, afirmou o delegado. Na delegacia de Cambará existem quatro salas com ar-condicionado e monitoramento de TV na cadeia e na parte externa do prédio.

Todos os dezesseis funcionários da delegacia usam gravata. Lopes explicou que isso não é uma imposição, mas sim um pedido. Através da gravata, reforça-se a postura de credibilidade que a polícia deve passar à população. “Nós fazemos reuniões bimestrais de motivação aos investigadores. Com elas, o policial passa a conhecer melhor seu trabalho e a importância dele”, explicou Lopes.

Crimes

O delegado explicou que para acontecer um trabalho mais eficaz por parte da polícia é necessário que se conheça os principais problemas da região. Quando ele chegou em Cambará, uma de suas primeiras atitudes foi fazer uma pesquisa para entender a situação do local. Nessa pesquisa, ficou constatado que o principal problema era o tráfico de drogas. Após avaliada a situação, Lopes investiu grande parte de seu tempo nessa problemática, obtendo resultados muito positivos. “Conseguimos diminuir consideravelmente o número de crimes”, contou.

Delegado marcado por reformas

Lawrence Manoel

A delegacia de Cambará não foi a primeira a passar por profundas alterações após ser dirigida pelo delegado Rogério Antônio Lopes. Antes de ir para Cambará, o delegado passou sete anos administrando a 39.ª Delegacia Regional de Polícia de Bandeirantes. Nela, Lopes executou várias obras, como a reestruturação completa do prédio e a implantação de uma sede do Instituto Médico-Legal (IML) na cidade.

O delegado contou que a delegacia antes era completamente bagunçada. Não existia nem um PABX. “O telefone tocava e a telefonista tinha que sair gritando pelos corredores para avisar para quem era a ligação”, relatou. Outro ganho foi a informatização. Antes, a delegacia não tinha computador algum. Hoje, ela opera com seis aparelhos. Lopes destacou que a separação do espaço físico da delegacia e da cadeia é fundamental para que o ambiente seja considerado um lugar de respeito. “Essa é uma das minhas primeiras atitudes assim que assumo uma nova delegacia”, afirmou o delegado.

Lopes fez um balanço positivo de sua passagem por Bandeirantes. Para ele, a população da cidade, cerca de 40 mil pessoas, passou a confiar mais na Polícia Civil. Além disso, entidades como o Ministério Público, por exemplo, passaram a ser admiradores do trabalho da polícia. “Conseguimos uma profunda credibilidade junto aos comerciantes. O Poder Judiciário também demonstrava um intenso respeito pelo nosso trabalho”, garantiu.

Lopes confidenciou que seu plano é realizar o trabalho de readequação das delegacias em vários outros locais. Assim que achar que cumpriu sua missão em Cambará, ele deve mudar de cidade.

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