Cinco policiais militares, um delegado e um policial civil foram presos durante uma operação que terminou na manhã de ontem, acusados de forjar provas para tentar inocentar Juarez Ferreira Pinto, condenado a mais de 65 anos de prisão pelo crime do Morro do Boi.

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A Operação Posseidon foi uma ação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar e Civil e teve início assim que a delegacia de Matinhos apresentou Paulo Delci Unfried, 32 anos, como o suspeito mais provável do crime. Osíris del Corso, 22 anos, foi morto e sua namorada, Monik Pegoraro, 23, baleada, na trilha do morro, em Matinhos, em 31 de janeiro de 2009.

Bode expiatório

“Eles tentaram fazer alguém assumir o crime, querendo fazer crer que a prisão do Juarez era um erro da Polícia Civil e da Justiça. Eles encontraram o Paulo, imputaram a ele uma série de roubos, e fizeram aparecer a arma usada no crime”, explica Leonir Batisti, procurador de Justiça e coordenador estadual do Gaeco.

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De acordo com Batisti, a arma que Juarez usou no crime foi alugada de um traficante e devolvida após o crime. Ela foi recuperada e apresentada pelos policiais militares como sendo de Paulo, que teria sido torturado para confessar envolvimento no caso.

“Os policiais o induziram a se suicidar e criaram condições para isso, a pretexto de que ele estava arruinado. Eles teriam dito que iriam até prejudicar o filho dele”, afirma o procurador.

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O Gaeco conseguiu na Justiça a quebra do sigilo telefônico de Paulo, e descobriu que ele não estava nos locais onde aconteceram roubos de que ele foi acusado. As testemunhas que reconheceram Paulo como autor dos delitos prestaram depoimento novamente, e informaram que foram induzidas a apontá-lo como assaltante.

Por este motivo, foi preso em Curitiba o delegado de Matinhos, José Tadeu Inocêncio Bello, acusado de fraude processual. Também na capital paranaense foi preso o irmão de Juarez, Altair Ferreira Pinto, o “Taíco”, apontado como mentor do plano para acusação de Paulo, e consequentemente a libertação de Juarez.

PMs

No litoral, foram detidos os policiais militares do 9.º Batalhão Edison Pereira, Edmildo da Silva Mesquita, Paulo Roberto da Graça e Rodrigo Alves Barbosa, que participaram da prisão de Paulo. Permanece foragido o colega deles Renato Pereira da Silva.

Todos são investigados por formação de quadrilha, tortura e denunciação caluniosa. As prisões são temporárias, com duração prevista de cinco a 30 dias. Em nota, a Secretaria Estadual de Segurança Pública informou que o “inquérito finalizado pelo Ministério Público será remetido às corregedorias de cada órgão, para que os procedimentos administrativos ou penais sejam tomados. Todos os crimes cometidos por policiais, em claro desvio de conduta, são rigorosamente apurados e os responsáveis punidos dentro dos limites que a lei estabelece”.

Processo ainda não acabou

Osíris e Monik estavam na trilha do Morro do Boi, em Matinhos,quando foram abordados pelo assassino. Ele levou R$ 90 de Osíris e pediu para que Monik tirasse a roupa.

O namorado interveio, foi baleado e morreu na hora. Monik também foi baleada e permaneceu 18 horas esperando por socorro. Nesse período, segundo ela, o suspeito retornou, e abusou sexualmente dela.

Foi feito retrato falado assim que ela se recuperou, e semanas depois Juarez foi preso e reconhecido por Monik. Quatro meses depois, Paulo foi levado para a cadeia.

O traficante que forneceu a arma foi preso no ano passado. O julgamento referente ao caso aconteceu em fevereiro do ano passado. Juarez foi condenado a 65 anos e cinco meses de prisão pelo latrocínio de Osíris e por tentativa de latrocínio e atentado violento ao pudor contra Monik. O recurso da defesa de Juarez está marcado para o próximo mês.