A defesa do suspeito preso pelo assassinato do motorista de ônibus Ricardo Germano Hopaloski, 40 anos, morto durante assalto ao veículo que ele dirigia em Fazenda Rio Grande, na quarta-feira da semana passada, entrará com pedido de habeas-corpus junto ao Tribunal de Justiça. Segundo o advogado Bruno Thiele Araújo Silveira, não há indícios suficientes para que o único suspeito preso até o momento, Carlos Henrique Vieira Rocha, 37 anos, continue detido.

Para o advogado, apenas os depoimentos do cobrador do ônibus e da mãe de Carlos Henrique, contidos no inquérito, não estabelecem provas concretas contra ele. ?O cobrador disse no depoimento que o autor do crime usava moletom amarelo. Mas a mãe dele compareceu espontaneamente à delegacia informando que ele chegou em casa por volta das 6h30 (cerca de 40 minutos depois do crime) e que usava camiseta amarela, e não um moletom?, cita. Segundo o advogado, apenas a confirmação de que o detido é usuário de drogas não é o bastante para incriminá-lo. ?Não sabemos sequer como chegaram à pessoa dele?, aponta.

Negação

Carlos Henrique nega que tenha cometido o crime e afirma que, naquela manhã, dormia na casa de um amigo, que a família tenta contatar para depor em favor dele. ?Queremos entender a prisão como uma confusão e não o aproveitamento da situação para prender uma pessoa como bode expiatório apenas para passar à sociedade uma falsa realidade de justiça?, afirma Silveira.

O delegado Antônio Rocha, de Fazenda Rio Grande, defende que os indícios contidos no inquérito são suficientes para caracterizar a prisão. ?O advogado que prove em juízo que faltam provas?, diz. Até o momento, somente o cobrador e a mãe do suspeito foram ouvidos pela polícia. Outras testemunhas presentes no ônibus no momento do assalto ainda devem prestar depoimento. O cobrador também deve fazer o reconhecimento do suspeito preso.