Os cinco adolescentes que desapareceram na segunda-feira, em São José dos Pinhais, foram encontrados no início da noite de ontem, no Parque da Fonte, próximo à BR-277, no mesmo município. As irmãs de 10 e 12 anos contaram aos policiais que fugiram de casa porque estavam sendo ameaçadas pelo pai. A amiga delas, de 13 anos, e outros dois garotos de 15 e 16, alegaram ter fugido em solidariedade às irmãs. Por causa da denúncia, o pai das meninas foi levado ontem à delegacia do município, onde assinou um termo circunstanciado por maus tratos. A mãe delas não quis se pronunciar sobre o fato.

O grupo foi encontrado no início da noite de terça-feira, depois que as crianças ligaram para os pais contando que estavam no parque. Eles resolveram avisar as famílias porque souberam que estavam sendo procurados pela polícia. “As meninas passaram a noite em uma cabana e os garotos ficaram do lado de fora. Não ficamos com medo porque vimos o guardião do parque e até um dos garotos saiu para comprar pão com mortadela pra gente comer”, contou a menina mais velha da turma.

Segundo a garota, na tarde de segunda-feira a amiga lhe telefonou dizendo que iria fugir de casa porque estava sendo ameaçada de morte por seu pai, juntamente com a irmã. As duas foram até o colégio, onde encontraram-se com o resto do grupo, que resolveu acompanhá-las na aventura. De acordo com o superintendente do município, Altair Ferreira, o sumiço das crianças mobilizou todos os policiais da delegacia. Com a foto dos desaparecidos em mãos, pais e investigadores percorreram, durante toda a terça-feira, ruas de São José dos Pinhais e municípios vizinhos. Depois do telefonema feito pelo grupo, as famílias avisaram a polícia e os garotos foram resgatados.

Maus tratos

A partir das denúncias de maus tratos, os pai das irmãs foi levado à delegacia, ouvido e liberado em virtude das lesões das filhas serem aparentemente leves. Ele alegou que nunca bateu nas meninas e que apenas deixou uma delas de castigo no quintal de casa porque a menina havia roubado um telefone celular. “Eu só passei um corretivo. Disse que não queria ladrão em casa e mandei ela ficar lá fora”, contou.

Porém, as marcas no braço da garota confirmaram a denúncia de que ela havia apanhado com um fio de luz. As duas foram levadas ao Instituto Médico Legal para fazer exame de lesão corporal. De acordo com o delegado do município, Osmar Dechiche, caso seja comprovado que as lesões são graves, ele irá solicitar a prisão preventiva do pai pelo crime de maus tratos, o que pode resultar em até quatro anos de reclusão. “Elas irão receber acompanhamento do Conselho Tutelar do Município e o caso será encaminhado ao juiz da Vara da Infância e Juventude para que ele decida o que poderá ser feito com as meninas.

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