Os municípios paranaenses na fronteira com o Paraguai registraram uma explosão no número de assassinatos nos últimos anos. No início da década passada, a média de homicídios nessas cidades já alcançava 47,3 por grupo de 100 mil habitantes, mas estava concentrada em Foz do Iguaçu, maior cidade da região. Em 2010, a média chegou a 63,6 nos 11 municípios da divisa. O índice é pouco menor que o de Alagoas, o Estado mais violento do país, e quase o dobro da taxa do Paraná (34,4).

Os dados são do Mapa da Violência 2012, que analisou homicídios em cidades brasileiras de 2000 e 2010. A violência se espalhou para quase todas as pequenas e médias cidades paranaenses à beira do lago da usina de Itaipu e do rio Paraná, e que fazem fronteira direta com o Paraguai. Segundo policiais da região, o aumento ocorreu, em parte, porque contrabandistas e traficantes passaram a usar o lago e o rio para transportar cigarros, armas e drogas a partir de 2006. Naquele ano, uma nova aduana foi inaugurada na ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu ao Paraguai, reforçando a fiscalização.

Na região também fica o quarto município mais violento do país, Guaíra, na divisa com Mato Grosso do Sul. Com 31 mil habitantes, tem uma média de 112,8 homicídios por 100 mil habitantes. Em 2000, era de 41,9. O número de assassinatos aumentou 192% no período. O delegado de Guaíra, José Carlos Guglielmetti, calcula que, em 2010, um terço dos 35 homicídios registrados envolveram quadrilhas. “Normalmente os criminosos desse tipo são de fora, mas também envolvem elementos locais que já têm problemas com a Justiça”, disse.

O delegado Sérgio Luiz Alves diz que 30% dos 12 homicídios registrados em 2011 em Santa Helena, cidade ao lado da paraguaia Puerto Indio, envolveram contrabandistas. “Eles roubam as cargas de outros criminosos ou se desentendem na partilha. Desde que passaram a fiscalizar mais, o crime organizado pulverizou-se na região”, disse. O governo do Paraná afirmou que está formando um batalhão com 500 PMs que deve ser instalado em Marechal Cândido Rondon no segundo semestre.

Também foi criado, em 2011, com o Ministério da Justiça, um gabinete para coordenar ações contra o crime organizado na fronteira. Mesmo com o aumento da violência nas cidades, membros dos Consegs (Conselho Comunitário de Segurança) locais afirmam que a violência não mudou os hábitos dos moradores. “Os bandidos não se metem com os habitantes”, disse Eloir Loveira, do Conseg de Guaíra.