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O corpo de Cabral foi encontrado
por um amigo.

Ao lado da cama e totalmente nu estava o corpo do oficial Valdir Cabral, 58 anos. O coronel reformado da Polícia Militar foi assassinado dentro da casa em que vivia sozinho, na Rua São Luiz, Cabral, com mais de 20 golpes de faca nas costas, peito, braços e pescoço. O carro e alguns objetos do oficial foram levados, mas a investigação ainda apura se o roubo era mesmo o objetivo dos assassinos, ainda não identificados.

O corpo foi encontrado ontem de manhã por um amigo do coronel, com quem ele havia marcado compromisso comercial. Alarmado pela ausência do carro, pela porta aberta e pela sala revirada, o amigo chamou a PM, imaginando que se tratava de um arrombamento. Antes de a primeira viatura chegar, resolveu entrar acompanhado de um vizinho e encontrou Valdir Cabral morto.

O coronel estava no chão do quarto, nu, de joelhos e coberto por um lençol. Sobre a cama, além de muito sangue, havia uma garrafa de vinho quebrada -provavelmente estilhaçada durante uma briga. Havia vários objetos fora de lugar, e parentes notaram falta, num primeiro momento, da arma, da televisão, do computador e do telefone fixo. O Fiat Palio escuro de Cabral, com placa AAK-0694, também desapareceu.

A Polícia Científica – que retirou um preservativo pendurado no pênis do coronel – afirma que a morte ocorrera antes das 6h. Uma moradora de um prédio vizinho revelou à polícia ter visto duas pessoas no pátio da casa, aparentemente homens, por volta da 1h30 de ontem. Um detalhe intrigante no cenário do crime eram as pegadas de um pé descalço, provavelmente masculino, impressas em sangue no trajeto entre o quarto e a porta de entrada. Não havia sinal de arrombamento nas portas e janelas.

Para a Polícia Civil, é praticamente certo que o coronel foi morto durante ou pouco depois de uma relação sexual, por uma pessoa que recolheu em casa – embora Rubens Recalcatti, titular da Delegacia de Furtos e Roubos, prefira ser mais cauteloso. "Havia pessoas com ele na residência, mas não entraremos em detalhes sobre os dados apurados no cenário do crime", afirmou.

Amigos e vizinhos disseram à polícia que o coronel, que era solteiro, costumava receber visita em casa. "Eram meninas e rapazes, nunca vi ele chegar sozinho. Sempre havia festa na casa, e os carros dos convidados eram todos bonitos", contou Antônio Marcos Eugênio, que mora na mesma rua e eventualmente realizava serviços para o coronel, como limpeza do terreno. O mesmo amigo que encontrou o corpo disse que era hábito de Cabral freqüentar casas noturnas com público eminentemente jovem. No último contato com parentes, soube-se que Valdir Cabral passou a tarde de terça-feira no Jóquei Clube.

Segundo o irmão do coronel, Luiz Carlos de Oliveira Cabral, major da Polícia Militar, Valdir morava há dez anos naquele endereço. "Havia dois acolchoados jogados na sala. O major supõe que outro casal estava ali e que uma dessas pessoas surpreendeu o coronel no quarto", acredita o investigador Henrique, da DFR, que atendeu o caso junto com o colega Bimba. Os investigadores não descartam a hipótese de os autores terem levado carro e objetos para simular um caso de latrocínio.

Cerca de 25 policiais, entre civis e militares, estiveram no local do crime. Até a tarde de ontem, o Palio da vítima não havia sido localizado.